Se você já não se relaciona bem offline, será mais difícil online.

Costuma-se pensar que online é mais fácil. Por uma série de fatores – entre eles a benéfica facilidade com que estamos próximos e nivelados, social, econômica e intelectualmente -, os relacionamentos online dão essa ilusão.

Mas também porque na internet comumente confunde-se a realidade com as expectativas que temos sobre as pessoas e as coisas (muito embora costume-se também, na internet, confundir-se pessoas e coisas).

Sejam elas agressivas ou amistosas, quando nos relacionamos excessivamente influenciados por nossas expectativas, as experiências sociais tornam-se mera projeção do que já somos, um espelho.

Claro, relacionamentos sem projeções de expectativas pessoais são mera teoria.

Porém, é preciso conhecer bem as pessoas para, através da tela do computador, ver menos de si mesmo nelas e mais o que há do que elas tem de real. Pois é difícil ouvir a voz que há por trás das letras ou mesmo lembrar que para além de um vídeo do YouTube há alguém que, depois daqueles três minutos, tem uma vida.

Esquecemos que do outro lado de um tweet de 140 caracteres ou menos há também uma pessoa como eu ou você.

E, a partir de tal dificuldade, desencadeia-se um processo de desumanização. Como se do outro lado, houvesse uma coisa, um autômato, um saco de pancadas ou mais uma engrenagem da maquininha de fazer nossas vontades que, por alguma razão, em determinado momento não está funcionando. Por algum motivo, o espelho deixa de refletir a nossa imagem ou passa a refletir algo que não queremos ser.

E nós, como um bebê, choramos e esperneamos como se fosse adiantar. E, assim, com o outro já desumanizado, fica mais fácil agredir ou se equivocar quanto a seus anseios. E mais uma vez volta-se ao relacionamento narcisístico com o mundo.

Não que as pessoas já não ajam assim fora da internet com seus interlocutores ou em relacionamentos mais superficiais – como o que temos no trânsito com outros motoristas -, num discurso em que a palavra composta EU-EU-EU é a preferida.

Mas o fato é que, se você já não consegue se relacionar bem com as pessoas fora da internet, não deve se iludir: talvez, ao ilusoriamente se relacionar dentro dela, você esteja socializando com outra coisa e não com outras pessoas.

E é por isso que estou escrevendo sobre esse tema. Porque o detalhe do saber relacionar-se online é fundamental para seu sucesso como editor de mídias sociais (sucesso de verdade, eu quero dizer; não o que as pessoas costumam confundir com sucesso).

Assim, a dica final é: cultive uma vida social. Quanto mais rica melhor. Visite e receba amigos. Saia com eles. Converse. Faça novas amizades também. Puxe papo com estranhos. Procure ouvir sem julgar, buscando compreender as razões do outro ainda que não concorde com elas. Não existe cachorro tão velho que não seja capaz de aprender truques novos e os relacionamentos são a chave para esse aprendizado.

Só o parágrafo acima daria um livro. Mas isso é outra história para ser contada em outra ocasião.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!