Não assino o feed de blogs com conteúdo idiota

Simples assim. Se percebo que o blog é escrito para um dispositivo de busca e não para pessoas, eu não visito, não assino o feed, não mando flores. Sou leitor, tenho pouco tempo e sou egoísta quanto a esse ponto.

Mesmo quando leio um livro de, digamos, Guimarães Rosa, é comigo que Guimarães Rosa está falando. Se eu leio o seu blog, é comigo que você fala. E ainda que haja uma grande distância entre nós dois – pequeninos – e Rosa – grande -, toco no assunto dessa forma porque acredito na conversa entre humanos através da palavra escrita e falada, sejam eles humanos da mesma época ou não ou mesmo de diferentes estaturas.

Então, se a conversa é com algum ser de natureza cibernética obscura, não há drama. Não preciso ler. Eu sei quando alguém se dirige a outro que não eu.

É fácil. É só ver se o autor versa sobre a última personalidade famosa que ficou sem calcinha, a última edição de algum show de realidade estúpido ou a mais recente modelo flagrada fazendo aquilo que todo mundo gostaria de fazer naquele instante. Ou algo assim.

Porém, não cometerei o erro de ser autoritário, exigindo que você mude de assunto. Apenas sairei pela porta dos fundos respeitosa e silenciosamente.

Não pretendo dizer como deve ser o conteúdo de um site ou como ele deve ser escrito. No entanto, não consigo evitar de me sentir um tanto miserável ao me imaginar indo até a lista de termos mais buscados do Technorati para pautar os meus escritos a fim de garantir alguns trocados a mais no fim do mês.

Claro, todo mundo tem que pagar o aluguel mensalmente. Essa frase e a sua variante “estou apenas cumprindo ordens” já serviram de respaldo para muitas atitudes idiotas, quando não covardes.

Mas, que fique claro, longe de mim querer controlar o julgamento do que cada indivíduo acredita ser mais sensato. Eu, por exemplo, julgo sensato manter esses anúncios em que de vez em quando algum visitante interessado clica. Como também julgo sensato que eles, os anúncios, trabalhem para mim e não o contrário.

Portanto, apenas dou esclarecimento daquilo que eu pretendo fazer. Nada mais justo que ao menos de meus atos eu seja senhor, já que de forma alguma desejo ser senhor dos atos alheios: blogs com conteúdo idiota, pautados por aparelhos de busca, apenas visitarei como fruto de um engano ou de mera curiosidade biológica.

Mas não falo disso apenas por mim, enquanto leitor e egoísta. É que me irrita um pouco ver pessoas aparentemente inteligentes lançando mão desse tipo de recurso.

O mais importante, no entanto, é que o conteúdo da internet quem faz não são os autores. Mas os leitores. São eles que escolhem o que ler. Eu já escolhi.

Postado em Livros e Afins.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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