Banda Seletas vai fazer show no BazINDIE

Banda Seletas vai fazer show no BazINDIE Natalino

Trabalho há um ano na editora Lote 42. Não consegui recuperar o capital que coloquei no empreendimento. Minha carteira tem contrações involuntárias quando penso no tempo investido. Diante dos números, muitos podem ser induzidos a pensar que a iniciativa é um fracasso. Nada disso.

Além da Lote 42, continuo sendo repórter em uma revista de negócios. Lido diariamente com pessoas e empresas tem como métrica de sucesso a receita, lucro, EBITDA ou algum outro elemento do balanço trimestral. Não é errado. Mas dentro da minha filosofia acho isso limitado.

Analisar uma empresa pelo seu caixa é como mensurar o valor de um povo pelo seu PIB. Prefiro levar em conta indicadores como o IDH, que além da geração de riqueza leva em conta a saúde e a educação. Isso tem mais a ver conosco, seres humanos (antes que algum sociólogo venha puxar minha orelha, sei das limitações do IDH – só uso esse exemplo pela simplicidade).

Se grana fosse o fator preponderante, jamais teria escolhido ser jornalista ou ter criado uma editora de livros. Conheço segmentos que com esforço e investimento menores têm potencial de retorno bem maior. Mas nenhum deles daria gratificação comparável aos quatro livros paridos pela Lote 42 até agora.

A resposta das pessoas em torno das ideias e objetivos da editora é espantosa. Não esperávamos uma aprovação tão maciça. Nunca fizemos um manifesto nem nada do estilo, mas nosso cuidado com as obras, o contato direto com os autores e a aliança com a web estiveram sempre vinculadas a nossas ações.

Adoramos o digital, não sabemos viver fora da web. Isso não significa que queremos abolir o impresso. Sabemos bem que uma coisa é uma coisa, outra coisa, outra coisa.

Parte dessa energia positiva que a Lote 42 recebe é derivada de uma fé que a minha geração de jornalistas e consumidores agregam a iniciativas novas. Não dá mais para contar com as redações. Elas estão definhando ao passo que a necessidade de conteúdo de qualidade aumenta. A Lote 42 não é a panaceia, mas é um primeiro ensaio. A editora está disposta a ajudar quem quiser seguir por este turbulento caminho de tentar fazer um negócio próprio. Pode ser que no final, eu quebre a cara, mas até aqui a jornada é estimulante. Recomendo.

Desculpe. Qualquer papo sobre jornalismo fica invariavelmente pesado hoje em dia. Para relaxar, organizamos a festinha/feira BazINDIE Natalino para comemorar o primeiro ano da Lote 42. Chamamos para a celebração outras editoras independentes parceiras, a banda Seletas e até um mágico. Cada uma em um front de batalha, todas com o mesmo espírito aguerrido. Se quiser conhecer um pouco mais sobre cada uma, montamos um Tumblr com posts sobre cada uma.

Se estiver por São Paulo e quiser brindar conosco, estaremos a partir das 16h20 no sábado (7) na rua Bahia 1282. Apareça.

Sobre o autor: João Varella

Jornalista formado e pós-graduado pela PUCPR, é repórter de tecnologia na IstoÉ Dinheiro e editor no El Economista América. Já colaborou com diversos veículos, entre eles o jornal Gazeta do Povo e portal R7. Em 2012, ganhou o 2º lugar no prêmio Sebrae de Jornalismo. Junto com Cecilia Arbolave, venceu o prêmio Proyectando Valores 2006 da Câmara Argentina de Anunciantes. Escreveu os livros "Curitibocas - Diálogos Urbanos" (Coração Brasil) e "A Agenda" (Novo Conceito)