É sobre a sua consciência.

É sobre como facilmente se consegue seduzir uma grande parte da população de um dos maiores países do planeta a se voltar em uma direção e tornar prioridade aquilo que – para bem ou para mal – não era prioridade.

Li diversos textos a respeito da Hidrelétrica de Belo Monte, a maior parte falando sobre ecologia e sobre a matriz energética do País.

Mas até o momento o mais lúcido de todos e o que mais foi no cerne da questão foi este: Movimento Gota d’Água e a Comercialização do Consenso.

Não é um texto que tenta avaliar se a Hidrelétrica de Belo Monte e a melhor ou a pior solução para o País, no momento, mas aquilo que está por detrás nesse processo.

Destaco um trecho:

O intelectual americano Noam Chomsky em seu livro “Manufacturing Consent” defende que para entendermos a mídia de massa devemos analisá-la a partir da lógica da propaganda, isto é, seus discursos são pautados segundo interesses específicos privados e de governo no intuito de buscar apoio mais amplo da sociedade- em linguagem bem simples e direta: tais discursos querem “vender ideias e modos de vida”. O autor utiliza o conceito do cientista político Walter Lippmann, de “fabricação do consenso”, que seria uma transformação na forma de praticar a democracia: as elites empresariais e governamentais, aqueles que se consideram capazes de tomar as melhores decisões em nome do bem comum da sociedade, desenvolveram mecanismos de controle social, maneiras de direcionar a opinião pública, já que o cidadão médio não seria capaz de fazer as escolhas corretas (…)

Então, estamos abertamente falando de um balcão de negócios. O que está à venda? Ora, o produto político mais valioso em um sistema democrático:  o consenso da sociedade sobre um determinado tema. Chomsky ao argumentar que precisamos observar a mídia de massas a partir do “modelo” da propaganda nos soa agora completamente ingênuo. A propaganda da “Gota D’Água” é veiculada no formato mais emblemático, com atores- poderiam ser atletas ou, no passado, heróis de guerra- defendendo as qualidades de um produto-ideia, e convocando sua clientela não às lojas, supermercados ou manifestações públicas, mas à algo muito mais simples: clicar em um link e assinar uma petição cujas demandas já estão previamente delineadas, cujo debate foi obliterado em um literal jogo de cena. Na última vez que acessei o site, havia mais de 800.000- quase um milhão- assinaturas em pouquíssimos dias de propaganda, uma demonstração de força e habilidade que prometem tornar a nova marca no setor de terceirização do embate midiático um negócio muito bem-sucedido.

Como disse meu amigo Márcio Flizikowski no Facebook:

O texto é simplesmente elucidativo e traz as perguntas fundamentais: Como uma questão que, de modo geral, estava em segundo plano na hierarquia de interesses da sociedade brasileira, foi alçada de maneira tão rápida ao status de prioridade no debate público? Podemos chamar isso de debate público ou é um fenômeno de outra natureza? Qual interesse por trás disso tudo?

Costumo dizer que você pode medir o tamanho de sua liberdade pelo número de decisões que toma e que assume tomar e pelo grau de dificuldade dessas decisões. Tanto maiores e mais numerosas, maior a liberdade.

Ser livre dá trabalho.

A liberdade é sempre acompanhada de responsabilidade. A partir do momento em que o homem se percebe livre, sente-se responsável pela consequência de suas ações.

Se você não estiver a par das decisões que toma, talvez não as esteja tomando propriamente. Muito possivelmente está deixando que alguém as tome para você. Celebridades, seus amigos, o governo, as autoridades. Não importa.

Escolhas responsáveis são a essência da liberdade e até escolher não escolher é uma escolha.

Não as venda barato. Pelo preço de um clique em “compartilhar” ou “retweet” por exemplo.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!