
O Kindle é feio e custa uns R$ 700 mais as prováveis taxas de importação.
Jeff Bezos, fundador da Amazon, disse que a exemplo dos livros como hoje os conhecemos, o Kindle deve desaparecer das mãos do leitor que, na experiência tão íntima da leitura, fica em contato apenas com as palavras do autor.
De fato, com essa aparência, você quer que ele desapareça.
Mas isso não é o mais importante.
Possivelmente, a Amazon, dona da idéia, abriu mão da estética para apostar na facilidade de uso, em uma tela supostamente mais confortável que o habitual e – seu trunfo principal -, conexão sem fio com a internet.
Nesse novo eReader, lançado com certa euforia e receptividade, com direito à capa da Newsweek, você pode ler os seus livros, feeds, emails e tudo o mais sem precisar de um cabo sequer para baixar arquivos e tudo o mais.
O outro grande truque é ele ter sido lançado pela gigante de vendas de livros pela internet e suportar formatos como Microsoft Word, HTML, TXT, JPEG, GIF, PNG, BMP, PRC e MOBI. Isso garante uma certa variedade de títulos e possibilidades que aumentam o potencial do Kindle como produto.
Digamos que a Sony, que recentemente lançou um produto similar, não é uma especialista quando o assunto é texto. E o leitor era ainda mais limitado no quesito formatos suportados. Isso não impediu que seu Reader fosse um relativo sucesso. Eu mesmo, não fosse eu bloquear minha sanha consumidora, quase comprei um.
Ops. O Kindle não suporta PDF. Lamentável. Sem dúvida, isso vai ser um problema.
Porém, o Kindle já representa um avanço e não será o único exemplo desse tipo de aparelho de que ouviremos falar nos próximos três ou quatro anos, quando os livros digitais se tornarão mais e mais populares.
Por falar em Newsweek, achei muito feliz o título da capa: “Os livros não estão mortos.”
De fato, não estão nem estarão. Apenas vão mudar de formato.
Sempre haverá aqueles que estrilarão diante de uma mudança. Uns por nostalgia, outros por tacanhice mesmo.
No futuro, quando já estivermos habituados aos leitores digitais e, então, surguir um novo formato, haverá os que reclamarão, achando que o Kindle era até bonitinho do jeito dele, tinha um cheiro especial e a textura de seu corpo plástico era toda toda.
Nessa mesma época, anos à frente, os leitores ainda ficarão admirados com um povo muito antigo que abria mão de um ou dois metros quadrados de sua casa para guardar tijolos de papel com a palavra de escritores que, então, eles acessam digitalmente sabe-se lá por qual método, talvez sem nem mesmo precisar armazenar fisicamente a informação.
Talvez, nesse tempo, os livros estejam no ar, para quem quiser captá-los.
Muito nobres nossos ancestrais, pensarão eles. Leia mais sobre o Kindle:







