Moby Dick: que tal uma próclise no começo de um livro?
22 de janeiro de 2008 | Publicado na Categoria Livros e afins | 3 Comentários »A ênclise – quando o pronome oblíquo aparece depois do verbo – cabe bem para o sotaque português. Nele, as sílabas átonas quase desaparecem.
Os mes, nos, lhes e demais sumiriam no início de frases.
Mas, para o sotaque brasileiro, a regra que impede que se coloque o pronome no começo de sentenças não faz o menor sentido.
Elas são perfeitamente pronunciadas.
Os modernistas brasileiros já sabiam disso desde a década de 20. Porém ainda hoje é preciso enfrentar os gramáticos mais sisudos.
Me corrija se quiser perder seu tempo.
Sérgio Rodrigues, do blog Todoprosa, propôs então uma tradução interessante para o primeiro parágrafo de Moby Dick, de Herman Melville:
Me chamem de Ismael. Alguns anos atrás – não importa precisamente quantos – tendo pouco ou nenhum dinheiro na bolsa, e nada que me interessasse particularmente em terra firme, decidi navegar um pouco por aí e ver a parte aquosa do mundo.
Rodrigues propõe então que se comece não uma oração com um pronome oblíquo. Mas um livro inteiro.
Normalmente, os tradutores iniciam a narrativa com coisas como “Chamai-me Ismael…” e quetais. Numa inspiração um tanto bíblica talvez.
Só achei que o termo aquoso, teria ficado melhor como líquido. Já que é para simplificar.
Mas não me meto, pois pouco entendo de tradução e ele deve ter tido seus motivos.

Parece-me que é o contrário… Próclise é quando o pronome vem na frente, ênclise quando ele vem depois e mesóclise quando ele fica no meio.
O que não invalida o argumento, é claro.
Diego, há um pequeno espaço de concordância na sua reciclagem.
Moby Dicy, pesou a conciência, naufragou a semelhança da sintaxe, que poderia distribuir o primordio da escrita.
“Me dê um tempo”, “Faz me um favor”, ufa!, isso não é legal.
Amanhã, quem sabe, eu aprendo recitar uma bela canção.
Sim, sim, sim
Absolutamente de acordo
Isso poderia ser um tópico daquela tal unificação da língua portuguesa. Pow, já que vão mudar dos dois lados, por que não aproveitar para modernizar?
Mas a coisa está mais enrolada do que declamar aquela comovente história dos três tristes tigres no trigo treze vezes.