A Commedia dell’Arte é um gênero teatral surgido no século XV, na Itália, na forma de improvisos e finalmente formatado  pelas obras de Carlo Goldoni, no século XVIII.

Nesse gênero, os atores vestiam máscaras que caracterizavam seus personagens. A máscara denotava os comportamentos que o personagem teria e o público já sabia o que esperar dele.

Segundo a Wikipedia:

O comportamento destas personagens enquadrava-se num padrão: o amoroso, o velho ingénuo, o soldado, o fanfarrão, o pedante, o criado astuto. Scaramouche, Briguela, Isabela, Columbina, Polichinelo, Arlequim, o Capitão Matamoros e Pantaleone são personagens que esta arte celebrizou e eternizou. Importante na caracterização de cada personagem era o vestuário, e em especial as máscaras. As máscaras utilizadas deixavam a parte inferior do rosto descoberto, permitindo uma dicção perfeita e uma respiração fácil, ao mesmo tempo que proporcionavam o reconhecimento imediato da personagem pelo público.

Aqui, alguns exemplos de máscaras:

Se não estamos acostumados com elas, se não conhecemos a linguagem e os padrões da Commedia dell’Arte não percebemos muitas diferenças e nem sabemos o que esperar de cada um desses personagens.

Mas o mesmo se dá com aqueles que deparam pela primeira vez com os memes: não entendem nada e ficam achando que você é maluco por rir desses desenhos toscos (esses são apenas alguns daqueles que já chegam às centenas, talvez):

A melhor definição que consegui criar para os memes é:

Memes são uma imensa piada interna.

Ou seja, apenas aqueles que já estão inseridos no contexto entendem a piada. No entanto, são milhões os que a entendem, nesse caso.

Da mesma forma como na Commedia dell’Arte, esses rostos precariamente desenhados – e que podem ser repetidos com exatidão por qualquer um que queira expressar suas ideias graças ao control+c e control+v e outros recursos – representam padrões de comportamento. O público sabe o que esperar deles seja no início, no meio ou no fim de uma gague.

Hoje vi a seguinte ilustração no BRGag:

Eu imediatamente pensei:

Esse cara, abaixo, tinha até cara de trollface antes mesmo de se pensar em criar animações da Hanna-Barbera e afins e era o arquétipo do troll já no século XV a ponto de conseguir trabalhar para dois inimigos ao mesmo tempo, passar a perna nos dois pilantras e ainda casar os filhos de suas famílias rivais:

É o Arlequim. Ou Arlequino, conforme a tradução.

Observação

Importante ressaltar – visto que muitos leitores levam tudo e a si mesmos muito a sério -, que este artigo não tem caráter científico e é meramente especulativo, um exercício de imaginação com o qual muito me diverti e, creio, diverti diversas pessoas, e a única intenção é mostrar que as máscaras e personagens da Commedia dell’Arte estão na mesma proporção para as rage faces, no que diz respeito a estereótipos de comportamento quanto os desenhos animados estariam, só que são mais antigas. Ao próximo espertinho que vier me falar que este é um artigo que não se deve ser levado a sério só poderei responder com a seguinte imagem:

Ou, ainda, se for uma pessoa mais tradicional:

Conclusão

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!