Há algum tempo, procurei a assessoria de comunicação de uma importante rede de livrarias, para ouvi-los e publicar em meu blog algum material sobre dicas de etiqueta para o leitor em ambientes como livrarias, bibliotecas e eventos com a presença de escritores.

Deram com a porta na minha cara. Achei uma tolice, uma descortesia, mas, enfim, quem sou eu, não é mesmo?

O fato é que tempos depois pipocaram artigos em blogs, revistas e livros publicados sobre manuais de etiqueta para tais ocasiões. Alguns abordavam por exemplo a etiqueta no uso das redes sociais.

Agora vi a nota da coluna Esse autor aí, de Hillé Puonto, em que ela dá pinceladas bem significativas de certos comentários ou comportamentos (digamos, atípicos) do leitor.

Já passei por algumas situações e já presenciei outras em eventos com autores, portanto vou deixar algumas dicas:

Não preencha cheques em cima dos livros do escritor – acredite, passei por isso e é muito desagradável ver alguém estragando a mercadoria da editora e vilipendiando o livro,  filho querido do autor;

Não barganhe ou peça desconto ao autor – entenda, ele não está ganhando praticamente nada e de mais a mais, converse com a pessoa responsável pelas vendas. Autor quer falar de ideias e não de valores;

Não estenda demais a sua conversa – por mais admiração que você tenha pelo autor e reconheça o trabalho dele, ele não conhece você, não é seu amigo, muito menos psicólogo e, além do mais, precisa conversar com as pessoas que ainda estão na fila;

Não fique tímido, aproxime-se, seja breve e diga ter curiosidade em conhecer o trabalho do autor – muitas vezes o autor iniciante está metido naquele evento com uma estrutura mais ou menos precária. Tudo certo, o importante é divulgar, vender a ideia! Converse com ele, ele não é um ET e vai atender você, vai ficar feliz com isso;

Não faça o autor passar por rídiculos ou situações embaraçosas – vendo o documentário José e Pilar, vi uma cena em que um leitor da fila de autógrafo pede ao Saramago para desenhar um hipopótamo (!?) no livro que estava sendo divulgado e autografado: A viagem do Elefante.

Não leve seus trabalhos para o escritor avaliar – para isso existe uma série de alternativas frente às editoras;

Não viole embalagens – se não for comprar e se não for permitido pelo local que o livro seja folheado, não rasgue embalagens ou rompa lacres;

Não lanche no estande – procure a praça de alimentação mais próxima;

Seja paciente – mais cansado que você na fila, está o autor que atendeu tantos quantos antes e depois de você.

Das outas situações: livrarias, bibliotecas, ainda não tenho dados, prometo ir atrás e trazer para vocês. Claro, assim que eu for atendida. Não desisti!

*Publico essa postagem na categoria Ética, porque a etiqueta  não passa de uma ética pequena, aplicada em situações do cotidiano.

Sobre o autor: Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.