medium_74251252

E em resposta, a uma carta para o Papai Noel, o que fazer…

Eu sei, eu sei, o Natal já passou, mas outros virão. Também sei que muitos leitores torcerão a cara para este manual com um discurso sobre consumismo e mídia. Neste caso, utilize com as adaptações que quiser, mas o imponderável fato de que as crianças (e também muitos adultos) precisam de fantasia é, sem dúvidas, fulminante.

Use os estratagemas que quiser.

Use a entidade que quiser, caso o Papai Noel seja demais para você engolir, use  Fadas-do-Dente, Duendes, Bruxas, personagens de quadrinhos, Heróis, use quem você quiser, mas não cometa a tolice de achar, porque você assim pensa, que é melhor que uma criança crença consciente dessas “falácias”. Elas são necessárias, acredite, fundamentais. Mesmo você não se lembrando de o quanto elas fizeram parte da sua vida, pondere, é preciso criar mintos.

Mas não se ofenda: a vida é uma eterna construção e desconstrução de mitos, para a desmistificação e reconstrução de outros tantos. A vida pura e simples, essa mesma que você tem, seu vizinho tem, todos têm; essa não tem a menor graça se for ao pé-da-letra, se for sem fantasia, por isso, vamos lá:

Manual para o Papai Noel escrever uma carta em 10 tópicos (ou à criatura maravilhosa que você decidir, real ou não)

  1. Cartas boas, emocionantes, são cartas manuscritas – têm que ter letra, rabisco, rasura, tem que ter lágrima, cheiro, amassadinho. Para quem receber, sentir-se o mais próximo possível do seu rementente;
  2. Tem que começar bem antes (assim essas do Papai Noel, começando no começo do ano, para avaliar pontos importantes ou edificantes a serem falados, pontos que devem ser cortados. Os indícios ou provas da autenticidade do relato, são exatamente os que coincidem com os fatos cotidianos do sujeito-destinatário);
  3. Use e abuse da decoração na carta, que é para, no caso de descrédito (para aqueles mais céticos, mesmo guris), seu esforço ser, pelo menos, reconhecido;
  4. Traga drama e comédia, misturando fatos edificantes com fatos engraçados do cotidiano;
  5. Traga esperança para o seu destinarário;
  6. Fortaleça laços (sejam eles quais forem, amorosos, de amizade) que estejam de dissipando;
  7. Não exagere demais na caraterização de seu sujeito-remetente, posto que pode cair no descrétido, atenha-se aos fatos;
  8. Fale de presentes, mas, desde que isso não seja o mais importante. É um reforço positivo e não uma mera troca;
  9. Mantenha sigilo absoluto sobre a carta;
  10. Faça-a surgir de forma, absolutamente, surpreendente para o sujeito-destinatário.

Ainda acha isso uma tolice? Então, faça um teste neste ano que começa: Escreva uma dessas cartas e encaminhe-a, por exemplo, a alguém que esteja doente e um hospital, conhecido seu ou não!

Crédito da imagem

Crédito da imagem de destaque

 

Sobre o autor: Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.