Manifesto do Conserto

Encontrei o Manifesto do Conserto no SwissMiss (se alguém compartilhou comigo no Google Reader, por favor se manifeste para que eu dê o crédito devido).

Achei legal porque antes de simplesmente comprar coisas novas porque algo estragou, podemos consertá-las. Isso está mais de acordo com uma responsabilidade de maior prazo.

Claro que parte da responsabilidade quanto a esse tipo de atitude é dos fabricantes. Alguns produtos não permitem reparos, sendo necessário repô-los em caso de danos ou jogá-los fora em caso de atualização. Muitos são assim intencionalmente, com o agravante de não serem feitos para durar, para movimentar o consumo. Se possível, não compre produtos que, de antemão, você sabe que são assim.

Fiz uma tradução tosca do manifesto, da maneira como o interpretei. Embora a minha passe a idéia, se alguém quiser fazer uma tradução mais acurada, por favor avise. Ela será publicada com os créditos.

Segue o Manifesto do Conserto:

  1. Faça seus produtos durarem mais: consertar significa dar uma segunda chance aos seus produtos. Não os jogue fora. Consertar não é anti-consumismo: é contra jogar coisas fora desnecessariamente.
  2. Produtos são projetados, logo podem ser consertados: designers de produto: façam seus produtos consertáveis. Consumidores: comprem coisas que possam ser consertadas.
  3. Conserto não é reposição: reposição é jogar fora a parte que estragou. Não consertá-la. Não é disso que estamos falando.
  4. O que não me mata me fortalece: a cada vez que algo é consertado, isso acrescenta a seu potencial, a sua história, a sua beleza inerente.
  5. Consertar é um desafio criativo: fazer consertos é bom para a imaginação. Usar novas técnicas, ferramentas e materiais acrescenta mais do que simplesmente aceitar um beco sem saída.
  6. Consertos sobrevivem à moda: consertar não é estilo ou tendências.
  7. Consertar é descobrir: enquanto você conserta coisas, você descobre fatos incríveis sobre como eles funcionam ou não funcionam.
  8. Conserte, mesmo quando não estivermos em crise: se você acha que este manifesto é por causa da crise, esqueça. Não é sobre dinheiro, é sobre mentalidade.
  9. Consertar é único: mesmo produtos copiados se tornam únicos quando consertados.
  10. Consertar é independência: não seja dependente da tecnologia. Seja seu mestre. Se algo está quebrado, arrume e faça-o melhor. Se você é um mestre, dê esse poder a outros também.
  11. Você pode consertar tudo: até uma sacola de plástico: mas é melhor ter uma sacola que dure mais e repará-la se for necessário.

O manifesto termina com: “Pare de reciclar. Comece a consertar”.

Creio que reciclar sempre será necessário. Mas, a partir do momento em que o produto que não mais aproveitamos está separado na devida lata de lixo, parece que não temos mais participação no processo. Consertar suas coisas pode ser um passo a mais.

Postado em Artes.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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