Tenho me interessado mais por livros de fantasia ultimamente. Inclusive estou lendo as Crônicas de Gelo e Fogo, de George R.R. Martin. Hoje mesmo, às 4 da manhã, terminei o seu terceiro volume, A Tormenta de Espadas.

No Brasil temos poucos escritores que se aventuraram nessas searas da literatura de fantasia. Convidei um deles, L. L. Wurlitzer, que está lançando Olam, o primeiro volume da série “Crônicas de Luz e Sombras, para escrever sobre o tema.

O livro de Wurlitzer é construído sobre a mitologia hebraica. Narra a ascensão e queda de Olam, um reino que alcançou supremacia através da lapidação das pedras shoham, um tipo especial de pedra preciosa que, de acordo com a técnica de lapidação, revela capacidades especiais.

Mas vamos às palavras do autor que nos responde a questão. Por que os livros de fantasia fazem tanto sucesso?

Quando uma pessoa começa a ler uma fantasia, sabe que está adentrando um mundo fictício, mas mesmo assim o vivencia como se fosse real. Há como diz Humberto Eco, um pacto entre o leitor e o narrador, o pacto da ficção. Uma das possíveis razões talvez seja exatamente essa: o leitor mesmo sabendo que está lendo uma história inventada, por outro lado sabe que não será enganado. Por isso, lê com mais credibilidade a fantasia do que certas notícias jornalísticas. Porque há leis que regem a ficção, e o narrador se compromete a não quebrar essas leis.
Outra razão pode ser o anseio por imaginar um mundo melhor, sonhar com uma realidade diferente, pois a realidade atual é difícil e, por vezes, cheia de sofrimento. Assim J. R.R Tolkien marcou época com seu divertido Hobbit, seu indescritível Senhor dos Anéis, ou o profundo Silmarillion. O mesmo fez C. S. Lewis com o seu infantil, porém fascinante, Crônicas de Nárnia. Se por um lado os leitores se cansaram de elfos, duendes e anões, e se deixaram fascinar pelos anjos e vampiros, isso não significa que a fantasia não tenha mais apelo hoje, o que pode ser visto pelo sucesso de Harry Potter. Por outro lado, o genial Crônicas de Gelo e Fogo trouxe uma nova fantasia, pesada, adulta, sangrenta, às vezes deixando a desanimadora impressão de que o mal é a única realidade. E isso, por sua vez, aponta para outra característica interessante da fantasia, o fato de que o mundo criado sempre tem correspondência com o mundo real, até porque, o leitor jamais conseguiria imaginar outro mundo se não fosse a partir do mundo atual.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!