Quando me pedem uma indicação de um livro sobre Tantra costumo indicar o livro Boas Maneiras no Yôga.
Explico.
Sabe-se que o Yôga Antigo, filosofia prática, é ladeado por uma filosofia especulativa, o Sámkhya, e uma comportamental, o Tantra.
O Tantra, por seu caráter desrepressor, frequentemente é confundido com um de seus aspectos que, para a realidade em que vivemos, mais chama a atenção: a sexualidade.
No entanto, o Tantra – de natureza matriarcal, sensorial, naturalista e desrepressora – é muito mais que isso.
Nesse livro, temos:
A palavra Tantra pode ser interpretada sob diferentes pontos de vista. Num desses aspectos, Tantra pode significar: trama do tecido ou teia. De uma maneira poética e iniciática, Tantra seria como uma teia de aranha na floresta pela manhã, incrustada de gotas de orvalho, como sutis diamantes brilhando
ao sol. E, quando ela fosse tocada grosseiramente pelo profano, se desvaneceria instantaneamente.(…)
(…) ainda podemos ter uma outra interpretação, utilizada por Shivánanda. De forma muito sintética, mas também genérica, ele diz em seu livro: “Tantra explica o conhecimento relativo a tattwa e mantra”. Tantra Yôga, Nada Yôga, Kriyá Yôga, pág. 25.
Ao ler esse livro, você descobrirá muitas coisas, entre elas que o tantra é muito abarcante no que diz respeito a comportamento.
Não à toa é considerado uma filosofia comportamental: uma maneira de crescer no auto-conhecimento através do modo como nos comportamos, como nos relacionamos. Com os outros, com o mundo e com os fenômenos.
E é por isso que, sempre que me pedem uma sugestão de livro sobre Tantra, gosto de indicar o livro Boas Maneiras no Yôga. Chega a ser uma quebra de expectativa.
A etiqueta, praticada não como algo obrigatório – mas porque é sensata e torna os relacionamentos mais prazerosos -, nada mais é do que isso: uma forma fabulosa de se portar diante do Universo, diante das pessoas próximas e, até mesmo, diante de si mesmo.
E se essas boas maneiras servem para o Yôga servem para a vida.











