Jorge Luis Borges certamente tinha uma percepção dos livros diferente da do comum dos leitores.
Ele e, acredito, outros leitores mais dedicados, conseguiam perceber o mundo que havia por trás das páginas e das letras e até por trás das intenções do autor.
Leio o Curso de Literatura Inglesa e deparo com este trecho, quando o professor analisa o poema Beowulf e, para ilustrar seu ensinamento, cita o Quixote:
A verdade é que há livros, livros insignes, em que a natureza tal como a sentimos agora não aparece. Para remeter-me ao exemplo mais famoso, creio – não sei se estou certo -, desconfio que no Quixote, por exemplo, não chove uma só vez.
Ora. Quantos eu já conheci que sabem declamar teorias fechadas sobre o papel do proletário da jurubeba na revolução das abobrinhas no romance xis. Que, porém, não saberiam dizer se chove ou se não chove em algum momento de tal narrativa.
Que vão catar coquinhos.










