Hoje um leitor da Jacquelline Lafloufa, chamado Camilo Zahar (aparentemente nenhuma ligação com a editora), fez um comentário bastante pertinente, no blog Pensamenteando, do qual extraio o trecho que mais me interessa:

O Brasil ainda é um país sub-desenvolvido. Em minha área de trabalho (urbanismo) e outras, temos provas mais que concretas que vivemos em atrasos claros. Um deles é o problema da leitura. Não me surpreende que temos destaque em acessos à internet, mundialmente. De alguma maneira teríamos que extravasar nossa fome de conhecer e trocar. Um professor quando dá um livro para ler, tem o constrangimento de saber que os alunos terão que comprá-los. Nossas bibliotecas precisam ser revitalizadas, muita gente guarda livros em casa e não empresta ou doa. Dificilmente lemos o mesmo livro duas vezes. Muitas ações podem ser tomadas para estimular a leitura. (Leia o comentário completo)

Assim como meu amigo Paulo Polzonoff Jr., sou partidário da liberdade. A ética só é possível a partir do momento em que as pessoas podem fazer as coisas. Se fazemos o certo porque o errado nos é proibido, não há nenhum valor nisso.

O sujeito pode inclusive guardar livros que nunca mais abrirão ou que nem chegarão a ler. Isso perto de outras coisas que um ser humano é livre para fazer – ser excessivamente estúpido por exemplo – não é nada.

Mas ainda assim, me pergunto se não seria muito mais nobre se desapegar de livros nas seguintes condições:

  • livros que não são edições raras
  • livros que não tem nenhum apelo afetivo (por exemplo, com uma dedicatória de um amigo ou dado por uma pessoa especial em uma ocasião especial)
  • livros facilmente encontráveis em sebos, bibliotecas, livrarias (na internet ou não)
  • livros de que você não gostou: pode ser que alguém goste
  • livros de que você gostou e que gostaria que outros lessem

Dê uma olhada na sua prateleira. Estou certo de que há livros assim por ali. A biblioteca de sua vizinhança ou um amigo pode precisar deles mais do que a sua estante.

Pessoalmente, desconfio de uma pessoa que se gaba do número de livros que tem guardados. É o primeiro sinal de que talvez ela não tenha entendido nada do que leu. Talvez nem tenha lido.

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