Livros e afins

Procure no Blog

Submarino.com.br

Literatura, uma forma de alegria

18 de dezembro de 2006 | Publicado na Categoria Livros e afins | 7 Comentários »

A questão de a literatura ser uma forma de alegria é muito próxima à questão de ser muito melhor estar próximo ao autor que a seus comentaristas, críticos e resenhistas que já abordei com base nas palavras de Jorge Luis Borges.

Pelo visto, vou citar até cansar a tal palestra de Jorge Luís Borges, como venho fazendo nos últimos dias, até que os parágrafos acabem. Até porque cada um deles vale a pena individualmente por motivos diferentes e como um todo por todos esses motivos encadeados.

Então, que seja:

Eu diria que a literatura é também uma forma da alegria. Se lemos alguma coisa com dificuldade, o autor fracassou. Por isso considero que um escritor como Joyce fracassou no essencial, porque a sua obra exige um esforço.

Um livro não deve requerer um esforço, a felicidade não deve exigir esforço. Penso que Montaigne tem razão. Enumera seguidamente os autores que lhe agradam.

E eu, aqui, tentando me dar razão ao citar seguidamente um autor que grandemente me agrada através de uma citação de um autor que grandemente me agrada.

Penso que Borges está certo. É claro que há outras modalidades de alegrias, tais quais a do esforço recompensado ou a que nos dá algo que antes não nos completava mas que, no tempo certo, nos completa. Tal pode acontecer com algum leitor da obra de Joyce. Raramente é claro.
Confesso que, a mim, não aconteceu. Na verdade, nem me arrisquei. Creio que muitos que juraram ter esse prazer, portando algum livro do irlandês sob a axila, mentiram.

Porém, é inevitável pensar novamente em quanto tempo perdi na faculdade ao ler coisas que não me animavam em ir adiante. Mas claro que foi necessário perdê-lo, esse tempo, para ter certeza de que ele foi perdido.

De maneira que, agora, só ocupo minhas poucas horas de leitura com livros que me dêem absoluto prazer.

Posts relacionados

7 Comentários para “Literatura, uma forma de alegria”

  1. Iv Farias - 18 12 2006 às 17:48

    De tudo tiramos uma tal lissão, como das infelizes leituras que nos fazem procurar as felizes.
    E em meus olhos o que é triste, pode ser alegre ao teu. Isso abraange muito. Cabe ao autor faze-lo de maneira feliz, pois pelo menos eu, não gosto de livros que não consigo me imaginar na situação ou que não me arrepiem.
    Ah Delicia!

    Fica bem amigo.
    beijos do Ivan

  2. Fernanda - 18 12 2006 às 21:32

    Aí eu acho que depende. Depende do objetivo de cada autor, assim como depende do leitor. Há leituras que se tornam melhores com a idade, com a maturidade, como conhecimento prévio. Se achamos que tudo deve ser gostoso, corremos o risco de simplificar demais; ao mesmo tempo, se assumimos que o leitor deve nos entender de qualquer jeito, deixa de ser literatura…

  3. Paulo Polzonoff Jr - 18 12 2006 às 22:00

    Sabe que eu ando até com vontade de me arriscar pelo Ulisses? Li outro dia o texto de um cara (por sinal, um inimigo antigo) dizendo que o livro tem o ritmo de um dia: começa devagar, “acorda” pelo meio e depois vai dormir no fim. Sim, ele estava elogiado o livro. Achei interessante.

    Mas é claro que não vou me dar ao trabalho. Pelo menos não por ora.

    Mas a questão do esforço de fato é interessante. Eu penso nela muito. Senti um grande prazer depois de ler Grande Sertão: Veredas. Mas não tenho vontade de me arriscar em nada parecido.

    O problema é que nossa geração é muito superficial, você sabe. Teoricamente, não é necessário esforço para ler Shakespeare – um dramaturgo popular. E, no entanto, nos é difícil ler o cara. O problema é que, se anularmos o esforço e nos concentrarmos apenas no prazer, corremos o risto de ler apenas o que nos fala superficialmente à alma. Não?

    Tergiverso… Saudade daquela café na Argumento.

    abs

  4. Alessandro Martins - 19 12 2006 às 5:53

    Meu caro Paulo, vivemos uma época em que os leitores vêem um virar de página ou um clique como um obstáculo para os textos mais frugais e mais simples. O que poderíamos dizer do tamanho dos obstáculos para as sutis ironias de um Machado de Assis, por exemplo?

    Deve ser algum problema com a nossa educação ou com o mau uso generalizado de alguns pecados capitais – afinal, existem bons usos dos pecados capitais. Falo da preguiça, no caso, mas a idéia se aplica a todos os sete. Ou seriam oito?

    Apenas uso o exemplo de Borges, para quem a leitura de Joyce não devia ser exatamente uma dificuldade.

    Mas concordo com você que certos prazeres devem ser aprendidos ou podem ser aprendidos. Não está claro para mim ainda o que deve determinar a velocidade desse aprendizado, se devemos aprender ajoelhados no milho ou seduzidos pelo objeto de aprendizado.

    Mesmo no sexo, por exemplo, existirão aqueles que se recusarão a aprender os prazeres mais óbvios. No caso da leitura, a coisa se agrava.

    Talvez a escalada de aprendizado que leva até o prazer ao ler um Joyce seja um pouco longa. Borges, aos 80 anos, não conseguiu chegar até o fim dela. Imagino que alguns, mais espertinhos, chegaram.

  5. Erwin - 19 12 2006 às 8:55

    Talvez possa colocar um pitada de sal na defesa da facilidade da leitura.
    Os livros são um universo próprio, dentro do outro universo. Quero dizer com isso o seguinte: as escolhas que ele – o irlandês – fez foram diferentes das nossas, muito diferentes. E o prazer ficou mais distante, e esse talvez seja a explicação. Ele andou e flanou por fronteiras outras. Após algum tempo deveremos retornar ao Ulysses para ver se já conseguimos atingir aquela fronteira daquela Via-Láctea. Será que não é essa a experiência? Isso não altera em nada a sua observação e a do Jorge, claro, mas talvez esse grão ajudará a pensar uma ferida ainda aberta. Caso contrário continuaremos a ler o Dicionário de lugares imaginários.

  1. [...] Um dos maiores escritores que conheço – por livro, naturalmente – é Jorge Luis Borges. Qual a sua maior ambição? Ser um bom leitor. E não é pouca ambição. Seu conselho? Leia o que lhe faz feliz. Se você começar a ler alguma coisa e aquilo não lhe arrebatar, sequer o atrair levemente, deixe de lado. Talvez não seja a hora de ler, talvez nunca seja. Não faz mal. Existe uma infinidade de livros bons que vão lhe fazer feliz. Se quiser ler um pouco mais sobre isso, sugiro este artigo. [...]

  2. [...] Literatura, uma forma de alegria [...]

Deixe seu Comentário

ASSINE O FEED

... ou receba meus posts por e-mail

Destaque

Arquivos por mês

Direitos autorais

Comentários recentes

Artigos recentes

Categorias