Continuo a ler Os Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Você deve ter notado que tenho comentado pouco dele por aqui.
Não que seja ruim. Ao contrário.
Acontece que ele é desses livros em que você fica tão entretido com a narrativa, que flui como um rio, que separar uma parte dela seria como fatiar a água corrente.
Você pode colocá-la em um copo, mas já não é mais água corrente e sim represada.
No entanto, eis um trecho bastante interessante, quando os quatro heróis estão em viagem, levando uma mensagem secreta da rainha da França a um nobre inglês, seu amante. Nessa passagem, Porthos teve de ser deixado para trás duelando. Eis o que aconteceu:
… no momento em que Mousqueton veio anunciar que os cavalos estavam prontos e em que todos já se levantavam da mesa, o desconhecido propôs a Porthos beber à saúde do Cardeal. Porthos respondeu que não teria dúvidas em fazê-lo, se o desconhcido, por sua vez, bebesse à saúde do rei. O desconhecido gritou que não conhecia outro rei que não fosse Sua Eminência. Porthos chamou-lhe bêbedo; o homem desembainhou sua espada.
- Fizeste uma estupidez, – disse-lhe Athos. – Não faz mal, já não podes recuar, agora. Mata esse homem e vem juntar-te a nós o mais rapidamente possível.
E os três amigos voltaram a montar e partiram a galope, enquanto Porthos prometia a seu adversário furá-lo com todas as estocadas conhecidas na esgrima.
- E menos um! – exclamou Athos, depois de percorrerem quinhentos passos.
- Mas por que razão esse homem provocou Porthos e não outro de nós? – perguntou Aramis.
- Pelo fato de Porthos falar mais alto do que nós e ele o ter tomado por nosso chefe – respondeu d’Artagnan.
Isso faz lembrar aquela história de que, em campo de batalha, os soldados não batem continência a seus superiores a fim de que eles não se tornem alvos mais visados ao inimigo próximo.









