Certa vez, quando criança, eu visitava uns tios no interior. Quando me convidaram para ir visitar uns outros parentes e eu preferi ficar na casa, lendo, ouvi meu tio contrariado resmungar que havia mais vida fora dos livros. Até pode ser. Mas acho que ele jamais desconfiou da quantidade de vida também dentro deles.
Esta história, no entanto, não tem nada a ver com o viver e o morrer de José Mindlin, que faleceu hoje aos 95 anos.
Mas dizem que, de certa maneira, um homem revive cada vez que um gesto seu é repetido por outro. Que assim seja, a cada vez que alguém pela primeira vez se apaixonar por um livro, abri-lo e se deixar contagiar pelas palavras de alguém de outro tempo, outro lugar, outro jeito de pensar.










