No último Fórum de Neurociências, realizado em Barcelona, discutiu-se sobre a melhora no aprendizado jogando-se videogames.

Diversos grupos depesquisa como o liderado pela Dr. Daphne Bavelier da Universidade de Rochester publicaram estudos sobre os benefícios dos videogames na aprendizagem. Um grupo treinava uma hora por dia em jogos similares ao “tiro em primeira pessoa” (First Person Shooter). O outro grupo jogava também por uma hora diária outro tipo de videogame, de não ação, como é o caso do jogo Tetris. Os resultados são impressionantes! Jogadores que praticaram videogames de ação  aprenderam com mais facilidade e desempenharam com mais atenção os testes designados quando comparados com os jogadores que praticaram jogos de não ação. Além disso, os jogadores de ação também apresentaram vantagens na resolução espacial e temporal da visão, como a identificação mais rápida e rastreamento de múltiplos objetos.

Exemplo de uma cena do jogo “First Person Shooter”

A melhora de atenção e sensibilidade visual parece estar atribuída ao aprendizado durante as práticas dos jogos de ação. Na medida em que são praticados com regularidade, esses jogos desenvolvem elementos da concentração. Utilizando técnicas como eletro-encefalografia, os pesquisadores concluiram que os jogadores de videogame de ação são mais atentos pois exibem maior habilidade para inibir o processamento de informações visuais distratoras, ampliando a atenção seletiva.

Mas, tais benefícios dos videogames de ação são restritamente para essa classe de jogos com um treinamento de 1 hora por sessão,aproximadamente 5 sessões por semana por pelo menos 1 ano! No entando, não é a toa que esses estudos sobre videogames ganharam tanta divulgação! O mais importante é que estes trabalhos abrem uma avenida de perguntas tanto na área de neurociências como também na campo da medicina. Recentes pesquisas demostram que videogames de ação podem auxiliar no tratamento de pacientes com deficiências visuais como os portadores de Ambliopia, a causa mais frequente da perda visual permanenteem crianças.

Com certeza é sempre muito interessante quando os estudos de pesquisa básica tem o potencial de nos beneficiar diretamente. E melhorar nossa atividade cerebral com divertimentos parece uma boa pedida, não?

Sobre o autor: Praciência

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