Jerry Seinfeld é um dos comediantes mais legais da atualidade.
Eu vi recentemente um documentário – Bastidores da Comédia – sobre o que ele fez quando a série Seinfeld, que lhe rendia milhões por semana, acabou.
Quer dizer. O problema não era grana.
O problema era o que fazer agora quando você já é um sucesso. Qual o próximo desafio?
Então ele escolheu: deixou de lado seu show antigo – pois muitas de suas histórias foram contadas nos episódios de sua série – e decidiu começar um show novo do zero, apresentando-se em bares como se fosse um novato.
A história é essa: a jornada de um cara bem sucedido que, de repente, deixou tudo de lado para reencontrar a essência daquilo que ele faz e gosta de fazer.
E então, no vídeo, você vê que a busca por material original de um comediante não difere muito do trabalho de um editor de blog – ou de qualquer outra profissão realmente criativa -, constantemente em busca de abordagens e assuntos razoavelmente novos.
Ao mesmo tempo, o documentário apresenta um comediante iniciante atrás dessa grana e desse sucesso. O cara é um chato, só para adiantar a conversa. Mas a certa altura Seinfeld e esse cara se encontram.
O outro o enche de perguntas relacionadas a quando finalmente ele, como iniciante, vai ficar contente com aquilo que ele faz.
E Seinfeld responde com uma história. Algo mais ou menos assim:
A orquestra de Glenn Miller certa vez, no Natal, iria se apresentar em um lugar distante.
Depois de aterrissarem, por causa de algum problema de produção ou coisa assim, os músicos tiveram de caminhar até onde iriam tocar.
A neve caindo, eles com as malas, os instrumentos, os capotes molhados e, de repente, encontram uma casinha no meio do caminho.
Saía fumacinha pela chaminé, havia algumas árvores cobertas de branco, uma cerquinha, talvez até um cachorrinho. E a cena era tão interessante que eles resolveram dar uma olhada através da janela.
Alguém teve a idéia de passar a manga do casaco no vidro para ver melhor o que se passava lá dentro.
Mamãe, papai, vovô, vovó, filhinhos, fogo na lareira, o jantar recém servido. Tudo quente.
Praticamente uma pintura de Norman Rockwell.
E eles lá fora sob a neve que caía mais forte. Os casacos mais molhados e frios, as bagagens mais pesadas, o destino mais distante.
Por fim um dos músicos disse, servindo de voz para todos eles:
- COMO É QUE ESSA GENTE CONSEGUE VIVER ASSIM?!
E seguiram em frente o seu caminho.
E é isso.
Seinfeld precisou chegar ao sucesso em sua profissão para entender que não era o sucesso o mais importante.
Se você faz o que gosta, por mais estranho e incompreendido e difícil que seja, você vai se sentir desafiado e se divertir. E, mais: vai achar muito estranho quem não faz o mesmo.
De fato, é muito esquisito existir nesse mundo pessoas tão dedicadas a coisas pelas quais não têm o menor interesse.
Se você gosta do que faz, não importa o quê – pipas, blogar, escrever, cozinhar, levantar pesos -, certamente está no caminho certo.
Nunca o deixe, nem que tenha que carregar instrumentos sob a neve forte.
Ah, sim. Recomendo que você veja esse documentário. É divertidíssimo.











