Quem poderia imaginar que algum dia alguns dos principais clássicos da Literatura Universal virariam paródias e mash-ups de sucesso (ou não), aumentando a venda de livros e a leitura ao redor do mundo?! E mais, quem poderia se quer pensar nas obras da idolatrada escritora inglesa Jane Austen (1775-1817) como alvo para essa onda literária, no qual já passaram de zumbis e até mesmo monstros marinhos?!

Pois é, neste mês chega as livraria mais uma dessas raridades, intitulado 50 Tons de Mr. Darcy (Bertrand Brasil, 304 pág.), assinado por Emma Thomas, pseudônimo de um famoso inglês, ninguém sabe dizer se é ator, cantor ou até mesmo algum ilustre do Palácio de Buckingham. O livro mescla a obra-prima Orgulho e Preconceito, com a nova sensação do momento, 50 Tons de Cinza (Intrínseca, 480 pág.) de E. L. James.

 

O livro de Jane Austen é um dos grandes romances da língua inglesa, é um retrato dos costumes na época e mostra o olhar aguçado e observador da autora perante a sociedade, além de trazer uma linguagem elegante, com sua ironia já característica em suas personagens. Já 50 Tons de Cinza fala sobre as descobertas dos prazeres e desejos mais ocultos entre um homem e uma jovem, com uma linguagem coloquial e sem muitos atrativos.

A obra de Thomas é uma mistura desse mundo inglês que foi transgredido. Retrata a vida íntima de Mr. Darcy e Elizabeth Bennet, protagonistas de Orgulho e Preconceito, só que não mais recatados e cheios de moral como no romance original. Há passagens realmente chocantes para quem não está acostumado a pensar em sadomasoquismo nas obras de Austen. O interessante também nessa nova versão é observar que Thomas consegue aliar duas linguagens totalmente distintas, sendo uma clássica e a outra moderna até demais.

Trecho de 50 Tons de Mr. Darcy:

“Se pudesse lhe mostrar (…) como uma partida de gamão poderia se equiparar à excitação de grampos de mamilos e como adornar um chapéu poderia proporcionar tanto prazer aos sentidos quanto a inserção de um plugue anal extragrande.”

50 Tons de Mr. Darcy pela imprensa:

“Os leitores poderão ler as cenas que sempre quiseram e não puderam.” (The Guardian)

“Uma paródia de sucesso!” (Marie Claire)

“Agradará a todos os leitores.” (The Sun)

Anterior a isso, em 2009 foi lançado Orgulho e Preconceito e Zumbis (Intrínseca, 320 pág.), sendo o primeiro de inúmeros mash-ups relacionados à autora britânica.  Neste o autor Seth Grahame-Smith, segue o mesmo enredo do original, mas apresenta uma única e primordial característica: a história se passa em meio a uma violenta praga de mortos-vivos, ou seja, as personagens são zumbis. O livro é realmente bem divertido, uma verdadeira comédia de costumes e chegou até a aparecer na terceira posição da lista do New York Times.

Trecho de Orgulho e Preconceito e Zumbis:

“É uma verdade_ universalmente aceita que um zumbi, uma vez de posse de um cérebro, necessita de mais cérebros. E nunca tal verdade foi mais inquestionável do que durante os recentes ataques ocorridos em Netherfield Park, nos quais os dezoito moradores de uma propriedade foram chacinados e consumidos por uma horda de mortos-vivos.”.

Não satisfeitos, mais tarde, em 2011 foi lançado Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos (Intrínseca, 320 pág.), de Bem H. Winters, funde o retrato da Inglaterra da Regência com monstros do mar. O resumo é o seguinte: as irmãs Dashwood após a morte do pai vão para uma ilha onde habitam monstros marinhos e lá se desenrolam as histórias e intrigas que compõe a obra original.

Veja o book Trailer:

E ainda houve mais um tipo de monstro que não poderia faltar nessa lista de bizarrices: Os vampiros. Em 2010 e 2011 respectivamente foram lançados dois títulos: Jane Austen – A Vampira (Lua de Papel, 303 pág.), de Michale Thomas Ford e ainda não lançado no Brasil, Mr. Darcy – Vampiro (Planeta), de Amanda Grange. O primeiro trata da famosa escritora que não morreu e na verdade é uma vampira frustrada, dona de uma livraria. O outro é a história de Mr. Darcy, na qual explica porque o protagonista é casmurro e orgulhoso, na verdade ele e a família são vampiros, é uma mistura de Buffy com Orgulho e Preconceito.

Os Mash-ups podem ser chamados na tradução literal de Mistura de Clássicos e Austen não poderia ficar fora dessa. Ninguém pode afirmar se Jane Austen está satisfeita com essas brincadeiras com seus filhos (ela costumava chamar seus livros assim), contudo sabe-se que algumas vezes tais versões foram consideradas divertidas pela imprensa e críticos.

Idolatrada nos quatro cantos do mundo, seus fãs mais conservadores desaprovam totalmente esse tipo de adaptação ou qualquer releitura, mudando ou alterando as personagens, considerando isso uma heresia. De fato, esses mash-ups e paródias mexem com a curiosidade do ser humano e só fazem aumentar o interesse pela autora, mostrando o quanto ela ainda influencia gerações mesmo após 200 anos de sua morte.

Sobre o autor: Bruna Chagas

Jornalista. Cursou Letras na Universidade Federal do Amazonas(UFAM). Possui a síndrome da “Era de Ouro” e é apaixonada por filmes clássicos, cinema francês, Literatura e rock and roll. Adora Teatro, Ópera, Arquitetura, Artes plásticas, Moda, Dança e, acima de tudo, ama escrever. Atua em produção cultural e jornalística. É colunista e proprietária do Primeiras Impressões e do site Viva Cultura! Foi colaboradora do Blog 7em1 e Colunista no CineSplendor. Atualmente é Produtora Executiva na Tv Amazonas(afiliada Globo)