Talvez você nunca tenha sido levado a pensar sobre o significado deste termo, e ao contrário do que você poderia deduzir não é uma experiência mística (não envolve mistério) e tampouco é uma exclusividade feminina. Para ilustrar o significado usado aqui para este simples e poderoso fenômeno vamos a um exemplo banal do cotidiano: sorte de principiante.
Pegue um jogo ou uma atividade qualquer, digamos bilhar. Quem já não presenciou um completo novato, sem o mínimo treino, logo nas primeiras tacadas fazendo coisas inacreditáveis. Sem muito esforço ele encaçapa as bolas, e deixa os adversários temerosos. Mas não dura muito tempo. Assim que ele começa a usar o raciocínio para medir a força e a direção da bola, acabou a mágica, e seu jogo volta a ser de principiante.
Portanto ao meu ver não tem nada a ver com a sorte, pois o novato estava buscando de início meios para jogar sem usar a razão, apenas intuindo. Se ainda não compreendeu, vejamos formalmente:
intuição S. f. 1. Ato de ver, perceber, discernir; percepção clara e imediata. 2. Contemplação pela qual se atinge uma verdade de forma direta, sem utilizar razão. …
É importante perceber que esta definição difere do conceito de pressentimento, no qual se sente algo que não é percebido pelos sentidos, de forma extra-sensorial. Também não está relacionada com a percepção apurada desenvolvida pela prática constante de determinada coisa. O conceito de intuição pressupõe algo que está além da razão, e não aquém desta. Está se tornando, por exemplo, uma importante ferramenta para cientistas e pesquisadores, sendo considerada por alguns parte intrínseca do próprio método científico
- leia o artigo A Imprtância da Intuição no Espaço Científico Cultural
Henry Poincaré, um grande matemático francês do século XIX, afirmou certa vez:
“C’est par la logique qu’on démontre, c’est par l’intuition qu’on invente.”
“É pela lógica que demonstramos, mas pela intuição que descobrimos.” Apesar desta crescente importância, o fenômeno da intuição ainda é pouco compreendido dentro do mundo acadêmico, e os poucos que se arriscaram nesta direção (Jung, por exemplo, cita diversas vezes a intuição em suas obras, mas os conceitos dele a este respeito ainda permanecem obscuros para mim) não chegaram muito longe. Por isso permanece para a maioria como uma coisa incompreensível, que se manifesta em flashes involuntários sem controle algum.
É neste ponto que nos voltamos ao Yôga, que já tem uma visão bem mais clara do assunto. Para o Sámkhya, filosofia que embasa o Yôga Antigo, a intuição pode ser acessada a partir do momento que se transpõe o ahamkára, princípio da egoidade. Em outras palavras, ultrapassa-se o plano mental, e atinge-se o plano intuicional. Dentro da prática do SwáSthya Yôga esta evolução ocorre de forma natural, principalmente através das técnicas de concentração e meditação. Um Yôgin (praticante de Yôga) consegue atingir um estado conhecido como intuição linear, no qual com a redução das dispersões mentais ele toma o controle dos fenômenos intuitivos. Para os iniciantes alguns efeitos como o aumento de consciência e lucidez se manifestam a partir das primeiras práticas.
Saiba mais:
- DeRose. Corpos do Homem e Planos do Universo.
- Santos, Sérgio. Yôga – Sámkhya e Tantra.
- A intuição nos negócios











