Rascunho do mapa do inferno… de Dante
2 de julho de 2009 | Publicado na Categoria Livros são divertidos | 7 Comentários »Se eu ganhasse um centavo para cada pessoa que diz que prefere o Inferno de A Divina Comédia, de Dante Alighieri, eu já teria uns R$ 2. A obra é dividida em três partes e a que versa sobre o Inferno parece ser a preferida das pessoas.
Mas se, destas, eu ganhasse um centavo de cada uma que realmente tivesse lido a obra integralmente ou pelo menos uma de suas partes – a preferida, talvez -, ou ao menos segurado o livro sob uma das axilas, quem sabe eu tivesse uns 10 centevos, se tanto.
Por outro lado, não deve ser pequeno o número de leitores que acredite, depois de passear pela obra, que o Inferno é um bom lugar para visitar, mas não para se ficar, digamos, pela eternidade.
No entanto, você talvez se pergunte uma vez ou outra como é organizado o inferno e seus múltiplos círculos nesse livro.
Encontrei no livro Dante Alighieri, de Hilário Franco Júnior, um esquema bem esquemático que esquematizo ainda mais para sua melhor compreensão.
Inferno
- No Primeiro Círculo ou Limbo, o mais largo e mais próximo à Terra, estão os não-batizados e os pagãos. Inclusive as almas que não teriam conhecido Cristo, por terem nascido antes dele. Não há castigos nesse local, mas uma perene melancolia.
- No Segundo Círculo ficam os luxuriosos.
- No Terceiro Círculo ficam os gulosos.
- No Quarto Círculo ficam os pródigos e avarentos.
- No Quinto Círculo ficam os iracundos (gente que fica irada facilmente).
- No Sexto Círculo ficam os hereges.
- O Sétimo Círculo está dividido em três partes: uma para os violentos contra o próximo (tiranos e assassinos), outra para os violentos contra si mesmos (suicidas e emos), outra para os violentos contra Deus (blasfemos, sodomitas e usurários).
- O Oitavo Círculo, dividido em dez valas, abria na primeira delas os rufiões e sedutores, na segunda os aduladores, na terceira os simoníacos, na quarta os mágicos e embusteiros, na quinta os corruptos e trapaceiros, na sexta os hipócritas, na sétima os ladrões, na oitava os conselheiros fraudulentos, na nona os semeadores de cismas religiosos e de discórdia, na décima os falsários (o Oitavo Círculo deve ser muito parecido com o Congresso Nacional, mas com menos verbas)
- O Nono Círculo, onde se encontra o próprio Lúcifer (aka Pé-Redondo, Cramunhão ou Capiroto), é o dos traidores de familiares, da pátria, de amigos e de benfeitores
Na internet, você encontrará diversos mapas do Inferno de Dante, a fim de que, na falta de um Virgílio para guiá-lo, você não se perca quando for passar uma temporada por lá.
Este, por exemplo:

Mas, antes de entrar, lembre-se da inscrição que há sobre a porta – guardada por Cérbero, o cão de três cabeças (na verdade, Cérbero guarda o Terceiro Círculo, o dos gulosos: provavelmente a geladeira está no segundo) -, a lembrar do destino de quem por ali passa:
Per me si va ne la città dolente,
per me si va ne l’etterno dolore,
per me si va tra la perduta gente.Giustizia mosse il mio alto fattore;
fecemi la divina podestate,
la somma sapïenza e ‘l primo amore.Dinanzi a me non fuor cose create
se non etterne, e io etterna duro.
Lasciate ogne speranza, voi ch’intrate
Deixai toda a esperança, vós que entrais.

Esse é, talvez, o meu livro favorito. Li todo duas vezes e pretendo reler novamente num futuro próximo.
Ler só o Inferno é bobagem. A obra é bem mais ampla do que isso. Há toda uma beleza nas palavras, alegorias e na qualidade da pena de Dante. E olha que eu sou ateu.
Só uma coisa: no livro, não há guardião no Portão. Cérbero guarda o Terceiro Círculo, dos gulosos.
Obrigado, Khristofferson, por corrigir meu erro dantesco.
Abraços do Alessandro!
O inferno é mais divertido. O paraíso é chato e o purgatório não se resolve. Deve ser por isso. O Paulo Francis, disse algo parecido com isso, é pronto, se tornou uma espécie de mantra. Abraços, caríssimo.
Passei mal de rir do esquema do sétimo (pra emos) e do oitavo (congreso nacional) círculos. Eu também li toda a Divina comédia, e também gosto muito no “inferno”, mas confesso que muito me atrai o céu. Preciso ler de novo este tomo, na época que li sinto que para mim ele não ficou tão claro.
Em On Literature, o Umberto Eco tem um artigo bem legal sobre o paraíso, da Divina Comédia. Ele considera a parte mais bela.