Estou lendo o livro Política: Para Não Ser Idiota, de Mario Sergio Cortella e Renato Janine Ribeiro.
Uma das coisas que os dois, em seu diálogo, apresentam é a ideia de que, de repente, política virou coisa de idiota.
Porém, não pode ser: a palavra política em sua origem grega, politiké, diz respeito à cidade, à coletividade e, por outro lado, a palavra idiota significa “aquele que só vive a vida privada, que recusa a política” (clique aqui para visitar o blog Classe Média Sofre).
Em outros termos, os gregos antigos chamavam de idiota a pessoa que achava que a regra da vida é “cada um por si e Deus por todos”. Bem diferente da ideia de que o homem é um animal político. Afirma-se isso praticamente negando a natureza.
Ainda que assim fosse, deve-se lembrar que nem só de política partidária é feita a política. Em verdade, não se atravessa a rua sem ser político, queira você ou não.
A certo momento da conversa apresentada no livro, nos diz Janine Ribeiro:
Essa conectividade é o que leva alguns a frequentarem o facebook, a seguirem um semelhante no Twitter. É interessante porque hoje se supõe que a política se faz nessas redes de relacionamento – os quais, por sinal, ainda são muito superficiais – e nessas redes o indivíduo consegue ser seguido. Twit aqui e twit ali, a pessoa é seguida e, assim, se sente participante.
O campo dessa participação, em minha opinião, lembra um pouco o que dizia o teólogo Agostinho: “Não sacia a fome quem lambe pão pintado.” Tudo isso me faz supor que estamo no campo das aparências; sem ser platônico em excesso (como Agostinho o era), a verdade é que há certa satisfação na aparência.
Vide a cultura dos cupcakes (tive que fazer este aparte).
O fato de alguém estar numa ONG ou pertencer a um grupo que organize uma mob (mobilização) dentro do metrô com todo o mundo pelado não significa que a pessoa está interferindo na sociedade. Significa que ela está fazendo um happening, um evento. Como estamos em uma cidade eventual, será que não acabamos deixando de lado a política como história para trabalhar a política como evento, como fragmento?
De fato, às vezes tenho a impressão de que os temas políticos, ou para usar um termo mais amplo, sociais tornaram-se hypes, coisas que um dia são amplamente debatidos por todos e no dia seguinte são esquecidos.
Como se a vida, agora, fosse pautada pelos Trending Topics.
O engraçado é que, justamente em um evento de mídias sociais de que participei recentemente, quando se tocou nesse assunto, o tweet mais retweetado daquele momento foi algo como: “Tá, a superficialidade wiskhas sachê”.
Com todo o respeito, você sabe muito bem onde colocar esse wiskhas sachê.












