E, como íamos dizendo, a diferença entre escrever porque é preciso e escrever porque se gosta (ou porque a necessidade está no escrever em si, ainda que seja uma ânsia) é quase a mesma diferença que há entre o escrever sobre o que se gosta e o escrever sobre o que desejam os mecanismos de busca ou outras forças obscuras. Se for para ter patrão, prefiro um de carne e osso. A opção de não ter um é melhor, no entanto. Por enquanto, porém, isso ainda não é realidade. Estamos trabalhando pra que seja.

Nada é divertido quando você precisa fazer aquilo – muitas vezes, dia sim e o outro também – para não ser despejado. Com o tempo enche o saco. Então é um negócio bem raro um escritor trancado em casa, que paga aluguel, se meter com um trampo que, mesmo em retrospecto, foi uma tiração de sarro fabulosa e enlouquecida do começo ao fim… e ainda por cima ser pago para escrever esse tipo de enrolação doentia, olha, parece realmente estranho.

É Hunter S. Thompson contando como foi legal escrever Medo e Delírio em Las Vegas nos intervalos da redação de uma matéria mais cabeluda e ainda ter sido pago por isso, no livro A Grande Caçada aos Tubarões.

Não quero outra coisa. Divertir-me e ainda ser pago por isso. É uma opção que faço agora antes de ser obrigado por um patrão invisível, a escrever sobre o que deseja um abstrato mecanismo de busca.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!