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Uma história, um poema e um vídeo com Charlie Chaplin

9 de julho de 2009 | Publicado na Categoria Cinema | 1 Comentário »

Eu li esta história contada por um terceiro, Marcos de Vasconcellos, em seu livro Brazil-  A Marca da Zorra, e ele, por sua vez, também ouviu de outros e nem lembra de quem, o que torna tudo muito impreciso.

Enfim, as figuras mitológicas da arte sempre acabam com muitas lendas em torno de sua história verdadeira e, pelo fato de serem figuras mitológicas, permite-se que esse anedotário possivelmente fictício seja aceito como mais ou menos real.

Somente pelo fato de que não faz mal a ninguém.

Enfim, segue a história:

Sei dessa história há muito tempo, não me lembro de onde. Se for imprecisa, relevem.

Charles Chaplin, já no auge da carreira, popularíssimo no mundo inteiro, estava reunido com amigos em casa e, para espanto geral, sentou-se ao piano e cantou maravilhosamente bem a ária “O Dolci Baccio”, da Tosca, de Puccini, interpretando um Cavaradossi perfeito. Os visitantes ficaram estupefatos, pois ignoravam que Carlitos fosse um afinadíssimo tenor.

- Não sou mesmo – disse ele. – Só estou imitando Caruso.

É ou não é uma história bonitinha?

Isso faz lembrar um de meus poemas preferidos de Drummond, que em seus versos cita Carlitos, um sujeito, um ator, um personagem que conseguiu nos fazer rir da tristeza.

O Amor Bate na Aorta

Cantiga do amor sem eira nem beira,
vira o mundo de cabeça para baixo,
suspende a saia das mulheres,
tira os óculos dos homens,
o amor, seja como for,
é o amor.

Meu bem, não chores,
Hoje tem filme de Carlito!

O amor bate na porta
O amor bate na aorta,
fui abrir e me constipei.
Cardíaco e melancólico,
o amor ronca na horta
entre pés de laranjeira
entre uvas meio verdes
e desejos já maduros.

Entre uvas meio verdes,
meu amor, não te atormentes.
Certos ácidos adoçam
a boca murcha dos velhos
e quando os dentes não mordem
e quando os braços não prendem
o amor faz uma cócega
o amor desenha uma curva
propõe uma geometria.

Amor é bicho instruído.

Olha: o amor pulou o muro
o amor subiu na árvore
em tempo se estrepar.
Pronto, o amor se estrepou.
Daqui estou vendo o sangue
que escorre do corpo andrógino.
Essa ferida, meu bem,
às vezes não sara nunca
às vezes sara amanhã.

Daqui estou vendo o amor
irritado, desapontado,
mas também vejo outras coisas:
vejo corpos, vejo almas
vejo beijos que se beijam
ouço mãos que se conversam
e que viajam sem mapa.
Vejo muitas outras coisas
que não ouso compreender…

Creio que depois deste poema é muito difícil escrever algo que abarque tantas questões simultâneas sobre o amor em tão poucas palavras.

E, se eu fosse falar disso, sem falar disso, mostraria este vídeo:

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Um comentário para “Uma história, um poema e um vídeo com Charlie Chaplin”

  1. Anny(@Annyllinha) - 9 7 2009 às 18:27

    Todas as vezes que leio, falo sobre o amor penso naquela frase sua:
    “O amor é uma escolha.”

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