Fiquei surpreso com o artigo sobre a História dos Cinemas de Rua em Curitiba na Wikipedia. Excelente.

No da foto acima, fui pouco: primeiro foi o Teatro Hauer, depois Cine Marabá e, depois, Cine Astor.

Deste, o gigantesco Ribalta (tinha mil lugares e estacionamento para 200 carros), o meu pais sempre falava, mas nunca cheguei a ir:

O Supercine Ribalta (Avenida Munhoz da Rocha, 1504, ao lado do Graciosa Country Clube) terá requintes sofisticadíssimos: luxuosa sala de espera, mobiliada em estilo colonial; sala para fumantes, separada da platéia por parede envidraçada; música ambiente estereofônico e até um pianista, como nos velhos tempos do cinema mudo, antes do inicio de cada sessão, na sala de espera.

Trecho retirado de um artigo do célebre Aramis Millarch, de O Estado do Paraná, de 19 de janeiro de 1975.

Curioso saber que as mais recentes gerações jamais saberão o que é um cinema de rua e que era possível haver, de fato, um cinema na rua.

Ou que os sacos de pipoca eram muito, mas muito menores que os de hoje.

E jamais ouvirão a pergunta clássica:

– Esta é a para comprar ou a para entrar? – diante da dúvida sobre em que fila entrar.

Aqui em Curitiba, o São João era aquele em que íamos ver as estreias dos filmes dos Trapalhões. Antes fazíamos uma visita à pastelaria Toyo, onde, em pé, comíamos um pastel de queijo, servidos em pratos amassados e velhos de alumínio, acompanhado de um Chocomilk ou uma Wimi. Limpávamos a boca com aqueles papéis que de forma alguma tinham as características desejáveis a um guardanapo e ficavam espetados sobre o balcão e que, por fim, iam ornamentar o chão.

No Condor, durante uma época, minha tia foi bilheteira e pude ver muitos filmes de graça. Indiana Jones e a Última Cruzada foi lá que vi.  O Retorno de Jedi, se não me engano, foi no Plaza. Ambos, hoje, foram comprados por uma ou outra dessas religiões novas.

No Lido, não estou certo se antes de ele ser dividido em Lido 1 e Lido 2, vi Highlander. Tivemos de conversar muito com o porteiro para me deixar entrar, pois o filme era censura 12 anos e eu tinha 11.

O lugar tinha que ser muito bem escolhido, pois as cadeiras não eram alinhadas como hoje e podia acontecer de alguém mais alto que uma criança não ter a menor sensibilidade e sentar na frente dela. Aí, você não enxergava nada.

Não lembro onde vi O Império Contra-Ataca, mas lembro que eu ficava incomodando meu pai o tempo todo para que ele me explicasse o que estava acontecendo. Eu ainda não tinha fluência de leitura o suficiente para acompanhar as legendas.

No Cinema 1, vi Labirinto, com David Bowie, depois de muito insistir, pois era um dia de chuva e ninguém queria me levar.

Cheguei a pegar projeções do canal 100 e os curta-metragens nacionais que, antigamente, eram obrigatórios antes das sessões. Bem como os documentos da censura, que eram exibidos antes de qualquer programa na tevê ou antes de qualquer filme, nas salas de cinema.

Foi nos cinemas de rua que aprendi que os cinco minutos mais demorados do mundo são os que antecedem a projeção de um filme.

Ainda assim, eu faço questão de chegar pelo menos cinco minutos antes da exibição das propagadas e dos trailers. Certas demoras são boas de esperar.

Como eram os cinemas de rua de sua cidade?

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!