Histeria coletiva digital

Flor da pele. É exatamente essa a expressão que me veio à cabeça, após a enxurrada de pensamentos que me inundaram, ao pensar sobre este tema. Uma enxurrada de opiniões. Não falo isso no tocante ao volume. Penso, antes, na dinâmica das coisas e em como as redes sociais transformam as coisas, construindo a partir de uma opinião qualquer, ou um vídeo, ou um comportamento, um conceito novo: (adorei a expressão que ouvi outro dia) visceralidade.

Não achei essa palavra no dicionário. Não a acharão aqueles que, acaso,procurem-na. Mas a sensação é esta. Não conseguimos gostar de algo, sem antes, para aqueles que estão conectados (por força de trabalho ou quaisquer outras circunstâncias) dar uma boa “curtida”, um prudente (ou não) RT, um decisivo (ou não) unfollow.

E assim criamos heróis (falsos ou não), banalizamos (ou combatemos) crimes, divulgamos (ou assolamos) atitudes. É uma onda de superficialidade que condena nosso senso crítico.

Contra as redes sociais? Eu? Jamais. Trabalho com ela e ela é minha aliada. Não consigo viver sem ela. Mas, aprendi, a desenvolver um bocado de senso crítico e me perguntar na origem das coisas: “mas, o que é mesmo isso?”. Não devemos ter vergonha da própria ignorância. Uma ignorância levada adiante é uma catástrofe sem volta.

E isso tudo me vem à mente porque falei há algum tempo com Bernado Luiz, cineasta de Natal, cujo filme divulguei em meu blog no dia 6 de dezembro de 2011, dia 1º foi o Dia Mundial de Combate ao Vírus da AIDS. Isso é uma causa. Isso deve ser divulgado. Isso tem lugar nas mídias sociais, nas casas, nas famílias, no debate, como aliás, muitas outras causas.

Conversei com Bernardo Luiz sobre isso e muitas outras coisas, basicamente, de natureza preconceituosa e divagamos a respeito da posição de cada pessoa: a que sofre o preconceito, a que sofre com o preconceito e a que sofre do preconceito.

Duas conclusões sobre o assunto: a dor de quem se encontra numa posição de vítima nessa relação (juntamente com as dificuldades daí advindas de toda natureza) e a humanidade  - a natureza humana em todas as circunstâncias.

E no fundo de tudo é isso, sofremos, enquanto algozes ou vítimas, da nossa própria humanidade. E muitas vezes, a histeria coletiva, aflita em ser o “primerio lobo do lobo homem”, seguida por seus milhares, refuta a básica pergunta que cabe em todas essas circunstâncias: eu, como agiria?

O mercado editorial está se vangloriando de publicar biografias que atestam (como se isso fosse atestável) a homossexualidade de Lampião, do ex-Presidente norte-americano Richard Nixon, de Lord Byron e de tantos outros que vez por outra são colocados nessa berlinda.

Todos leem, admiram-se e passam adiante… E poucos se perguntam: o aspecto da homossexulidade é mais importante que o impacto histórico dessas figuras?

E sem essa pergunta nasce um factóide, um comportamento, um preconceito.

Postado em Ética.

Sobre o autor

Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.

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