Todos os que escrevem na internet possuem leitores. E digo isso de uma maneira bem ampla, não apenas com relação àqueles que publicam textos. Mesmo quem usa apenas redes sociais está produzindo um texto escrito que é lido por outros. A escrita na internet tem a característica de gerar respostas imediatas às pequenas coisas. Antigamente, quem quisesse dar a um autor sua opinião tinha que escrever uma carta, descobrir o endereço, escrever no envelope, comprar selos e colocar a carta no correio – eram muitas etapas, nem todo mundo estava tão motivado.  Hoje é tudo tão fácil que qualquer coisa pode gerar respostas, qualquer opinião tem sua audiência.

Esse contato com os leitores nem sempre é agradável. Receber elogios é fácil; o desafio é lidar com quem nos contraria e até mesmo nos ofende. Alguns farão isso por maldade, porque se divertem em aborrecer os outros. Existem os leitores que nos ofenderão sem querer, porque não sabem se expressar direito ou tiveram uma interpretação equivocada do texto. Tem quem goste de polemizar sobre qualquer assunto, e diz certas coisas só pelo prazer de levantar uma discussão – o que eu, particularmente, não gosto. Quando lemos um comentário que nos aborrece, nem sempre está clara a intenção do leitor, nem sempre sabemos se damos vazão à nossa vontade de mandar tomar naquele lugar ou se não é pra tanto.

Foi nesta citação de Hamlet que eu encontrei a melhor premissa de como tratar as pessoas, sejam elas leitores ou não:

Se fosseis tratar todas as pessoas de acordo com o merecimento de cada uma, quem escaparia da chibata? Tratais deles de acordo com vossa honra e dignidade. (ato II, cena II)

No fundo, não importa o que os outros fizeram, quem começou, qual o motivo – nossas atitudes falam sempre de nós mesmos.

Sobre o autor: Caminhante Diurno

Caminhante tem casa, marido, cachorro, blogs (Caminhante Diurno e Caminhando por Fora), carteirinha da biblioteca. E não pode viver sem qualquer um deles.