Hakim Bey: sobre o Fim do Mundo

Em tempos de LHC e boatos sobre o Fim do Mundo, é bacana ler coisas arrazoadas sobre o tema:

O Fim do Mundo é uma abstração porque nunca aconteceu. Ele não tem nenhuma existência no mundo real. Cessará de ser uma abstração apenas quando ocorrer – se ocorrer. (Não pretendo conhecer “o pensamento de Deus” sobre o assunto – nem possuo qualquer conhecimento científico sobre um futuro ainda não existente.) Vejo apenas uma imagem mental e suas ramificações emocionais; de tal forma que o identifico como um tipo de vírus fantasmagórico, uma estranha doença de mim mesmo, que deve ser eliminada em vez de ser hipocondriacamente cozida em banho-maria e tolerada. Desprezo o “Fim do Mundo” como um ícone ideológico apontado para minha cabeça pela religião, pelo Estado e pelo meio cultural, como uma razão para não se fazer nada.

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  • Lembro de uma estranha sensação de euforia coletiva quando, em uma empresa em que eu trabalhava, o proprietário ameaçou os funcionários de fechar as portas e mandar todo mundo embora. Como se isso fosse uma grande sexta-feira.

    Sinto que esse medo que as pessoas têm do fim do mundo é uma espécie de euforia disfarçada. Todos estão diante da grande demissão universal com uma alegria histérica, torcendo por uma sexta-feira perpétua e apocalíptica, como se ninguém estivesse contente com seu emprego, com sua vida, com nada.

    Postado em Minhas leituras.

    Sobre o autor

    Alessandro Martins

    Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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