Guarapari, no Espírito Santo, proíbe venda de livros de RPG
7 de junho de 2009 | Publicado na Categoria Livros são divertidos | 9 Comentários »Joguei RPG (Role-playing Game) por umas três ou quatro semanas em algum ano da década de 90.
Percebi que, quando alguém não se torna fanático pela coisa a ponto de andar com dados no bolso para tomar decisões ou para dar uma jogadinha rápida, pode-se dizer que trata-se de uma brincadeira que estimula a imaginação, o poder narrativo e o trabalho em grupo.
Soube que, em 2005, o município de Guarapari, no Espírito Santo, proibiu a venda de de livros de RPG em
Caso tenha dificuldade em abrir o arquivo TIF, disponibilizado no site da Câmara Municipal de Guarapari, veja o fac-símile da primeira página da lei abaixo:

Parece que aconteceu um terrível crime nessa cidade que teria sido motivado pelo que seria um jogo de RPG em 2005. A lei está em vigor até hoje.
Naturalmente, nem sempre os legisladores e governantes que escolhemos durante as eleições são dotados de cultura suficiente. Isso seria esperar demais.
É o tipo de gente capaz de proibir enxadas e música sertaneja porque um crime aconteceu em circunstâncias que envolvem esses dois elementos em princípio inofensivos.
Não o fariam, porém, pois – assim como eu e assim como você, meu caro leitor – conhecem bem enxadas e músicas sertaneja.
O mesmo não se dá com o RPG, um tanto desconhecido e misterioso.
Naturalmente, a Bíblia e o Corão foram a causa de muito mais chacinas e crimes que qualquer livro de RPG, mas não passa nem pela minha nem pela sua cabeça proibi-los.
O problema não está na Bíblia ou no Corão, mas em uns poucos desmiolados dentre os que seguem o que está escrito nesses livros. Digo, Salomão ameaçou cortar uma criança no meio, mas alguns de nós levariam a coisa até o fim com grande entusiasmo e júbilo só porque leram essa lenda em um livro considerado sagrado.
O álcool – embora não seja um livro (qualquer estudante de segundo ano da faculdade de Química sabe disso) – também motivou muito mais crimes.
Nem por isso está proibido. Em Guarapari ou em qualquer cidade do Brasil.
Pois o problema não está no álcool, mas nas pessoas que bebem. Algumas delas o fazem, inclusive, enquanto leem a Bíblia e pensam se devem ou não cortar bebês no meio.
Mas nem é por essas coisas que escrevi este artigo.
Não acho que o RPG e os seus livros precisem de minha defesa ou de quem quer que seja em terras civilizadas ou não. E nem eu seria a pessoa mais indicada a defendê-lo, pois não chego a ser um entusiasta.
A grande questão é: o vereador que criou essa lei e as pessoas que fiscalizam seu cumprimento sabem a diferença entre Role-playing Game e RPG (Reeducação Postural Global)?
Algum fisioterapeuta ou assemelhado de Guarapari pode estar sentindo-se prejudicado em ter de viajar até a cidade vizinha para comprar sua bibliografia obrigatória.

Joguei RPG por mais de 15 anos e creio que posso falar algumas coisas sobre o assunto ( detalhe: só não jogo hoje porque não tenho tempo). O jogo de representação pode ser uma grande ferramenta na (auto)educação dos jogadores:
1-Estimula a leitura:geralmente as pessoas que o jogam se não são grandes leitores, se tornam),
2-Estimula a apreciação humana :como usamos arquétipos para criar personagens, temos contato com varios tipos de personalidade e geralmente , pude observar em anos de jogo, que escolhemos justo os nossos opostos: se é baixinho, faz um personagem alto; se é tíumido faz um personagem extrovertido, etc ,
3- O que nos leva a uma outra perspectica: a relação como nosso próprio EU, ou seja uma apreciação de nos mesmo vista desde fora,
4- Uma profunda atividade criativa, pois não somente há interferência na confecção do personagem mas também na da ambientação e contexto onde se desenvolve a história,
5- Exercita a escrita ( por razões óbvias),
6- Proporciona uma maior interatividade com disciplinas escolares por meio lúdico: o sistema GURPS exigem bom conhecimento matemático, a linha “History teler “exige maior contextualização histórica,política e literária, o “Desafio dos bandeirantes” conhecimentos específicos en história do Brasil (inclusive conheço professores que o usaram em salas de aula com excelentes resultados)
Eu podia enumerar pelo menos mais umas 10 indicações para se jogar RPG mas vou me concentrar na estupidez da proibição: ninguém deixou de fazer cinema porque um maluco entrou com uma metralhadora num cinema em SP ; ninguém proibe a venda de alcorão e o povo manda avião em predio por ele; ninguém proibiu livros sobre economia e política e tem país que ainda pode matar gente em nome de uma suposta superioridade da idéia da democracia, ninguém proibiu a Bíblia, e muita gente usa este antigo alfarrábio para cobrir os mais aterradores crimes (ultimamente os de estelionato com gente vendendo parte do céu baseado nas informações de tal livro… que tal começar a se preocupar com a melhor formação destas pessoas em vez de proibir a venda dos livros? U se preocupar com os reais problemas da cidade que não devem ser poucos ? Desculpe mais isso foi quase um desabafo de quem sofreu preconceitos por causa de tais informações de que o RPG é um deformador dos jogadores. Pagamos muitos , pelo desequilibrio(provocado pelas drogas que os rapazes deste crime usaram antes de jogar) de alguns.
Concordo com você totalmente! Já se matou muito mais em nome de Deus do que em qualquer outro nome. A idéia de “proibição” também me assusta…..quem pode decidir por mim o que posso ler?
kkkk, boa essa.
gentem, repare q a proibição foi da “exposição e comercialização” de produtos de rpg, e não do uso. assim, o idiota q fez a lei só deu um tiro no próprio pé, pois quem curte rpg compra na cidade mais próxima, dando o $$$ dos impostos locais para outro município.
e garanto q o tiro no outro pé deve ter vindo qdo o rpg assumiu o status de proibido, com a mulecada cochichando qdo sozinhos, “quer conhecer o jogo proibido aqui na cidade? tenho um primo q trouxe de fora”. e v6 sabem o qto os jovens curtem fazer coisas proibidas mas inofensivas.
enfim, os amantes do rpg devem continuar jogando normalmente por lá, o cdl e os comerciantes de guarapari é q foram idiotas de aceitar uma lei dessas.
1 abraço
É triste isso. Nunca joguei RPG em grupo, somente solo. E sempre que joguei me estimulava criativamente. É ótimo para a criatividade, isso ninguém pode negar. Com certeza esse vereador jogou “merda no ventilador”.
Abraços,
Bye^o^
Já que eles culparam o jogo, e não as pessoas, vamos mandar prender o dinheiro, e não os corruptos ¬¬
Tem um erro na lei, invés de playing escreveram playng. Dá para ver que leram mesmo… A lei também não estabelece sanções. Não é a única no estado porém, em Vila Velha também têm uma que proíbe a comercialização do RPG (essa com multa de quinhentos reais), se não me engano foi o atual prefeito de VV (Neucimar Fraga) que fez o projeto quando era vereador, que eu saiba ele é evangelico, então, deve pensar que é coisa do capeta e depois dos assassinatos com os supostos envolvimento com o RPG ele fez a lei (os outros votaram por ignorância sobre o assunto).
Olá, pertinente agora, é lembrar da absolvição dos rapazes acusados de assassinar umamenina em Ouro Preto em um “ritual ligado ao jogo RPG” (segundo a Fátima Bernardes)… Além da absolvição deles (que não sabemos se são culpados ou não devido à incopetência da polícia) os advogados de defesa conseguiram desvincular com seus argumentos qualquer relação entre RPG e crime – o que me deixa muito feliz já que jogo há mais de 15 anos.
O fato de que quem comete atos criminosos são pessoas parece ser ignorado pela mídia tendenciosa…
No mais é sentar, rolar o meu D20 ever se eu consigo não engasgar enquanto dou boas gargalhadas de leis absurdas (e ineficazes) como esta.