Dizer que os mais novos não têm paciência é um clichê quando uma geração mais antiga se refere a uma mais recente. E eu odeio clichês. Normalmente, eles se enquadram naquela categoria de mentiras que são aceitas como verdade graças à enfadonha e insistente repetição.
No entanto, algumas características são observadas naquela que vem sendo chamada de Geração Y. Segundo enumera meu camarada Lauro Valente em seu blog:
- incapacidade de se fixar em um trabalho
- sensação de estar perdendo tempo
- necessidade de consumir cada vez mais informação
- ansiedade por promoções no mercado de trabalho
- falta de capacidade de fixar a atenção em algo durante muito tempo
Isso, para deixar a lista curta. Semelhanças com videogames não são meras coincidências, principalmente se considerarmos que muitos de nós vivem como se tivessem mais de uma vida ou vida infinita e nosso limitado tempo por aqui na Terra não fosse acabar nunca.
Diante de tanta ansiedade e imediatismo, recomendo a leitura do artigo Deixe o marshmallow para depois, do meu amigo Nilzo Andrade.
Finalmente, a Geração Bolacha Recheada
A minha geração – o pessoal que nasceu entre os anos 70 e 75, por aí, também tem suas características.
Costumo chamar essa de a Geração Bolacha Recheada. O Henderson Bariani até observou:
Não se trata desse tipo de recheio. Se temos algum conteúdo, certamente é o de gordura hidrogenada de nossos comunitários excessos adiposos.
Na época em que essas pessoas foram crianças – entre 75 e 85 (faça as contas) -, a economia era bem mais precária que hoje. Os pais da classe média não tinham dinheiro para comprar guloseimas.
Todo o dinheiro era usado para coisas supérfluas como educação, roupa, feijão e arroz.
Lembro que iogurte e biscoitos com recheio eu experimentava de vez em quando. Uma vez por mês, se tanto. Certamente, o mesmo se deu com a maioria de meus colegas.
Ao mesmo tempo, havia poucas opções. Duas ou três marcas. Os sabores eram morango, chocolate e baunilha. Só.
Em meados da década de 90 as coisas foram começando a melhorar. A partir de 2000, todas essas pessoas já eram adultas, com seus empregos, seus salários e vivendo em uma economia bem mais estabilizada. A indústria passou a oferecer, ao mesmo tempo, bem mais opções de produtos em todos os setores. As prateleiras dos supermercados passaram a ser um carnaval de cores, sabores e escolhas.
Com poder aquisitivo, estabilidade e opções, é fácil reconhecer alguém da minha geração fazendo compras: observe as cestinhas e os carrinhos. Estarão cheios de doces e tudo o que, na época de infância, esse indivíduo não teve. Pelo menos um pacote de bolacha recheada.
Homens e mulheres entre 35 e 40 anos comprando para si aquilo que seus pais teriam comprado para seus filhos se, na época, pudessem.
A Geração Bolacha Recheada é filha de si mesma.










