Gabriel_Garcia_Marquez,_2009

Interessantíssima a história contada pelo Braulio Tavares sobre o livro Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Márquez.

“A este respeito há uma história curiosa. Enquanto escrevia Cem anos de solidão, Márquez ficou virtualmente recluso em casa, enquanto a mulher cortava um dobrado para garantir a sobrevivência da família. Marquez escrevia o dia inteiro, e ao anoitecer, exausto, saía para tomar um drinque com seu amigo, o escritor Álvaro Mutis. Enquanto relaxava, comentava com Mutis o livro que estava escrevendo: falava dos personagens, das situações, dos seus problemas para resolver tal ou tal aspecto do enredo. Mutis dava sugestões, lembrava episódios parecidos, propunha alternativas; o tipo de ajuda que escritores prestam habitualmente uns aos outros. Márquez recusava-se a mostrar ao amigo o manuscrito, mas concordava em discutir com ele as peripécias.

Isto durou um ano e meio. Quando o livro por fim ficou pronto, Márquez colocou o gigantesco original datilografado nas mãos de Mutis, que, ao começar a ler, não acreditou no que via. Cem anos de solidão era um livro totalmente diferente. O “livro” que Garcia Márquez discutira com ele durante todos aqueles meses existia somente na sua imaginação; era um exercício para relaxar. Ninguém me tira do juízo a possibilidade de que as memórias de Márquez pertençam ao mesmo gênero literário: a Fantasia da Memória, aqueles livros onde a imaginação tem sempre razão.”

Leia o artigo original.

Foto: Wikipedia

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!