A primeira referência que me ocorreu quando vi os aviões de Fiona Banner foi a de Marcel Duchamp que, em 1917, pegou um urinol, chamou-o de A Fonte, assinou como R.Mutt, e enviou-o para um concurso de arte em Nova York.
Mas provavelmente por ser a mais óbvia e eu não ser exatamente tão esperto quanto pareço.
Independentemente disso, considero e notáveis as imagens desses aviões colocados em uma galeria em posições que não são as suas “naturais”, como se tivessem ali despencado, quase 100 anos depois. Mexe com a noção de espaço físico, envolve dificuldade de execução, ousadia, referência e tem impacto visual.
Segundo o texto do Tate Britain:
O Sea Harrier suspenso transforma-se em ave de cativeiro e as marcas “tatuadas” em sua superfície evocam o homônimo falcão Harrier. O Jaguar está de barriga para cima no chão, numa postura que sugere um animal submisso. Descascado e polido, a sua superfície funciona como um espelho, expondo o público a sua própria reação. O Harrier e o Jaguar continuam sendo objetos ambíguos implicando tanto a fera capturada como o troféu decaído.
Um dos erros, na minha opinião, da chamada arte conceitual é enfatizar por demais nos conceitos, impedindo que o objeto artístico fale e impacte o observador por si mesmo. A arte acaba, assim, por ficar muda, deixando de comunicar (a não ser que o objetivo do artista seja abordar a não-comunicação).
Afinal, ninguém quer ler um manual antes de apreciar cada um desses objetos artísticos.
Imagine que em 1917 ninguém tinha feito a clássica piada de admirar o extintor de incêndio (ou a variante da placa de banheiro) na galeria de arte moderna. Colocar um urinol em exposição causou comoção, naquela época, não apenas por conta do objeto mas também por conta da ação, sem que ninguém precisasse dizer: “Ei, você deveria ficar espantado, por isso, isso e mais isso.”
A coisa simplesmente acontecia, como acontece no caso dos aviões de Fiona Banner.
Sobre originalidade
Quem primeiro colocou um pinguim sobre a geladeira foi um gênio. A segunda pessoa que fez a mesma coisa foi brega. Talvez a originalidade e o impacto esteja justamente em colocar uma geladeira sobre um pinguim, mas provavelmente alguém já pensou nisso.
Assim, colocar urinóis em um museu talvez não funcione mais. Talvez seja mais eficaz colocar um museu dentro de um urinol atualmente. Mas, como no exemplo anterior, as políticas públicas já devem estar cuidando disso. Má ideia portanto.
(via But Does It Float)












