Vou aproveitar que estou com esse Almanaque Anos 90 – que ganhei da assessoria de imprensa da editora Agir – e, com ajuda do capítulo sobre Cinema, listar os filmes que vi em salas de projeção naquela época e o que significaram para mim.
Claro que vi mais coisas, mas não vou conseguir lembrar de tudo. Mas o mais significativo é que a maioria deles assisti ainda em cinemas de rua que, como vocês devem saber, são coisa do passado, pelo menos aqui em Curitiba.
Agora só em Xópingue.
Pois bem:
- Carlota Joaquina, de Carla Camurati – lembro de a diretora dizendo antes da exibição que o sistema de som do Cine Luz era ruim. O filme também era.
- Terra Estrangeira, de Walter Salles – deu vontade de ir para Portugal e ficar preto-e-branco. Sem falar que eu tenho uma coisa pela Fernanda Torres.
- O Quatrilho, de Fábio Barreto – como é que esse filme disputou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro?
- Menino Maluquinho, de Helvécio Raton – é baseado na obra de Ziraldo. Não me empolgou tanto quanto o livro.
- O que é isso, companheiro?, de Bruno Barreto – uma professora esquerdista do Cefet fez a gente ler o livro do Gabeira. O livro não é ruim, nem o filme. Mas não consegui ver o Luis Fernando Guimarães a sério. É que, quando ele é sério, ele é engraçado.
- Pequeno Dicionário Amoroso, de Samara Werneck – vi com minha primeira namorada a sério. No final, ela ficou triste. Às sextas, eu via Arquivo X, com ela. Depois Milenium. Depois um programa semi-erótico da Playboy.
- Central do Brasil, de Walter Salles – Aí eu vi que o cinema brasileiro estava começando a querer falar com as pessoas comuns como eu e você, sem ser uma novela na tela mas também sem ser uma tese de doutorado.
- Um Copo de Cólera, Aluízio Abranches – eu já gostava do livro do Raduan Nassar. Continuo preferindo o livro, mas foi bom ver o Alexandre Borges e a Julia Lemmertz se pegando.
- Drácula de Bram Stoker, de Francis Ford Copolla – eu torci pelo vampiro, assim como no Fantasma da Ópera eu torço pelo fantasma da ópera.
- Entrevista com o vampiro – aquilo do Tom Cruise mordendo o pescoço do Brad Pitt – e demais interações – deixou-me um tanto incomodado.
- Edward Mãos de Tesoura, de Tim Burton – gostei.
- A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça – não gostei.
- Pulp Fiction, de Quentin Tarantino – que me fez ver Cães de Aluguel, que me fez querer ter um terno preto.
- Meninos não choram – provavelmente o filme mais legitimamente triste da década de 90. Não por tratar da temática homossexual. A temática homossexual é irrelevante no caso desse filme. O filme é humanamente triste.
- Despedida em Las Vegas – provavelmente o filme mais legitimamente triste da década de 90. Não por tratar da temática do vício. A temática do vício é irrelevante no caso desse filme. O filme é humanamente triste.
- O Paciente Inglês – dormi.
- Meu Primeiro Amor – filminho de sessão da tarde, mas não esqueço dele porque a menina com quem fui ao cinema chorou e soluçou tanto e tão alto que quase fomos expulsos pelo lanterninha.
- A vida é bela - que grande puxa-saco dos estadunidenses é esse Benigni, não?
- Forrest Gump - Vi com meu pai em um cinema pequenino de shopping. A tela também era pequena. O público também. Aprendi que nos Estados Unidos até um idiota pode se dar bem desde que saiba contar histórias e tenha bom coração.
- Ghost - Fui com duas amigas de quem era a fim. As duas saíram do cinema com olhos vermelhos. Foi no Cine Condor, onde também vi Indiana Jones e a Última Cruzada com meu pai. O prédio virou bingo, depois igreja evangélica e depois não sei. Deve ter virado estacionamento. Um dia tudo vira estacionamento.
- Trainspotting - é incrível, mas não consigo lembrar se vi no cinema ou em vídeo.
- De olhos bem fechados – a cena da orgia mudou a vida de muita gente que freqüenta bailes de máscaras que conheço.
- Boogie Nights - filme do ótimo Paul Thomas Anderson, de Magnólia, sobre a indústria pornográfica. Fui com a minha namorada – aquela de O Pequeno Dicionário Amoroso. Ela achou o fim aquele tipo de vida, mas a cena final não pareceu incomodá-la.
- A Liberdade é Azul, A Igualdade é Branca e A Fraternidade é Vermelha – vi a trilogia de Kieslowski no Cine Luz. Provavelmente foi em uma daquelas Sessões da Meia Noite que formavam filas imensas e que lotavam o cinema.
- Corra, Lola, Corra – a quantidade de cabeleiras vermelhas que se via nas ruas naquele 1999 dobrou.
- O Sexto Sentido – ir ao banheiro à noite ganhou novos significados.
- À Espera de um Milagre – fui ver com meu pai também. Incrível como eu gosto de ir ao cinema com meu pai mesmo para ver filmes secundários.
- O Clube da Luta – Sem dúvida o filme mais legal dos anos 90. Saí do cinema meio sem saber o que achar. Mais tarde, graças a esse filme, descobri um dos meus autores preferidos atualmente: Chuck Palahniuk.
- O Mundo de Andy – O melhor filme com Jim Carrey. Por se tratar de um drama sobre um comediante, muita gente acabou entrando no filme errado…
- Além da Linha Vermelha - Um filme de guerra, mas que fala sobre muitas outras coisas. Imperdível.
- Titanic - Só eu acho que aquela velha estava caduca?
- Garotos de Programa – Vi numa daquelas sessões da meia-noite do Cine Luz, anos depois do lançamento que foi em 1991. Depois da morte de River Phoenix virou uma espécie de filme cultuado.
- Matrix – O primeiro foi surpreendente. As seqüências não tinham mais como surpreender, mas eles tinha que acabar a história, não é mesmo?
- O Colecionador de Ossos – Angelina Jolie coloca uma parte de Denzel Washington em sua boca. O resto eu não lembro. Ou será que estou inventando isso?
- Gattaca - por que esse filme é tão pouco valorizado?
- Dogma – nada do que Kevin Smith faça será tão despretensiosamente bom quanto O Balconista.
- Dança com Lobos – O que anda fazendo Kevin Costner?
Claro que devo ter visto outros filmes no cinema naquela década. Além disso, vi outros filmes daquela década em vídeo ou em DVD. E também estes foram os que consegui lembrar com ajuda do almanaque. Infelizmente a memória não é como algo que pode ser projetado em uma tela sem que se perca nenhum quadro.









