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Pessoalmente, gosto de filmes legendados porque se, digamos, vou assistir a um filme com Anthony Hopkins, quero ouvir a voz do Anthony Hopkins, com seu sotaque e inflexões característicos e não a voz do senhor Zé das Couves que, por melhor ator e dublador que seja, não terá nem a voz nem as inflexões de Anthony Hopkins.

E isso vale para  qualquer ator de que eu goste.

Mas entendo que os filmes dublados tenham uma série de vantagens (todas defendidas sobretudo pelos profissionais da área).

No que diz respeito a animações, costumo preferir os dublados, inclusive.

No entanto, parece-me que muitas pessoas defendem os filmes legendados como se fosse o último bastião da cultura cinematográfica letrada. Algo como: “É absurdo! Eu sei ler. Se você não sabe, problema seu!”.

Reconheço, porém, que as salas de exibição devem sempre dispor de opções para os que preferem uma ou outra modalidade.

Mas se o caso é colocar a modalidade de filmes legendados como algo segregador entre os que tem uma cultura superior e uma cultura inferior, ora, muito melhor são os filmes sem legenda.

Porque hoje em dia é uma vergonha não entender pelo menos o idioma estrangeiro mais falado do mundo. Não é?

Não, não é. Mas ajuda aqueles que se consideram superiores por conseguirem ler as legendas e por isso preferi-las a se colocarem no lugar daqueles que preferem os filmes dublados por uma razão ou outra.

Mas, lembre-se. Sempre pode ser ainda mais diferente de sua realidade.

Na Polônia, os filmes nos cinemas são todos dublados. E pelo mesmo ator que faz TODAS as vozes, masculinas e femininas. Sem interpretar e sem fazer nenhuma mudança de tom.

E eles não estranham nem ficam reclamando.

Confira:

photo credit: Gemma Bou cc

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!