Eu já fui um empregado.

Se eu tiver um pouco de sorte e depender dos meus atuais esforços jamais voltarei a ser.

Na verdade, é interessante a existência da palavra desempregado: como se a condição de empregado fizesse parte da natureza humana e, assim, fosse necessário designar com uma palavra única a condição daquele que está sem emprego.

Como se fosse possível existir o termo desescravizado, por exemplo.

Mas eu fui desses que tive mais sorte que juízo e fui demitido. Se não tivesse sido demitido, talvez jamais saísse de onde estava.

E, melhor, em uma situação em que não precisei atirar-me desesperado novamente à situação similar à anterior, quem sabe pior. Quem sabe, mais à frente eu tomasse juízo e pedisse demissão. Jamais saberei.

Enfim, gostaria de compartilhar com você um trecho de texto sobre o tema que encontrei:

Um amigo pergunta: “O que o seu filho faz?” e o pai tem que responder : “Ele é um empregado”. Numa situação assim embaraçosa, é normal que esse genitor justifique: “Mas ele está muito bem. É uma carreira de futuro. Uma grande empresa.” ( Com sorte e se trabalhar direito , dentro de vinte anos ele poderá estar ganhando bem, se não for despedido antes .)

Quando escuto isso sinto como se o pai de um escravo no Império Romano estivesse respondendo: ” Meu filho é escravo. Mas ele está muito bem. Trabalha para um rico senhor, muito conceituado.”

E se o filho ou filha encontra um caminho melhor , instala-se em casa um clima de tragédia e tortura psicológica. Mas os pais não querem justamente o bem dos seus filhos?

Querem. Contudo, são condicionados pelo Sistema e acham honestamente que o melhor é ser empregado.

  • Veja o texto completo no site O Novo Executivo: tentei linkar diretamente para o texto, cuja chamada você encontra um pouco mais abaixo, na página, mas não consegui. Me parece que o sistema de links está com problemas ou coisa assim

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!