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Mais de três décadas depois de seu lançamento, ler o livro “Wir Kinder vom Bahnhof Zoo” (Nós, as Crianças da Estação Zoo) – traduzido apelativamente no Brasil como “Eu, Cristiane F, 13 anos, drogada e prostituída” – ainda assombra e repudia.

Mesmo que sejamos de um país que possui sua própria cracolândia e que detém peculiares histórias com a prostituição infantil, o livro continua causando-nos esse mal-estar diante de uma realidade que é mundial. Mais ainda, ao saber que a alemã Christiane Felscherinow nunca se livrou das drogas e aos 51 anos carrega marcas de uma vida dominada por elas.

Sofrendo com uma Hepatite C crônica, provavelmente transmitida pelo uso de seringas ou contágio sexual, ela retorna ao foco com o lançamento de seu novo livro: “Mein Zweites Leben” (Minha Segunda Vida) uma autobiografia onde conta sua trajetória após todo o ‘sucesso’ da década de 80. Desta feita, com a ajuda da escritora e jornalista Sonja Vukovic – que levou três anos para escrevê-lo entre entrevistas e checagem dos fatos – Christiane F vai, mais uma vez, relatar todos os altos e baixos de uma pseudo-celebridade ainda viciada e controlada pelas drogas.

Porém, como todo ser humano diante de uma eminência de morte, ela pretende deixar algum legado além apenas de sua história, criando – com o lançamento do livro – a Fundação Christiane F, que irá apoiar filhos de toxicodependentes.

chris-1Em christiane-f.com pode-se comprar o livro e visitar o blog que contém fragmentos de histórias de pessoas que de alguma forma tiveram contato com Christiane, além de todo o barulho em volta do lançamento.

É provável que este não seja tão marcante quanto o primeiro, já que é a história de uma adulta e não mais de uma criança, que não precisa mais se prostituir – ela ainda recebe cerca de 2 mil euros pelos direitos do primeiro livro e do filme. Mas poderá nos servir como relato, quem sabe, de toda a loucura do mainstream sob os holofotes da fama e da tênue diferença entre o glamour e a marginalidade no mundo das drogas.

Sobre o autor: marcelGinn®

Não sou chegado de Dalton Trevisan, nem fiz poesia com Leminski o que não me torna menos vampiro de curitiba...