O projeto Amores Expressos, financiado pela Lei Rouanet e sobre o qual escrevi recentemente, continua a provocar reações. Nele, 16 escritores – alguns deles inéditos – viajarão para diversas cidades do mundo, com tudo pago, recebendo R$ 10 mil cada, graças ao imposto de renda de empresas que atualmente não conhecem outra maneira de patrocinar a arte a não ser com o dinheiro que seria, de qualquer forma, destinado a projetos realmente importantes ou para os bolsos de políticos corruptos.
Um dos escritores participantes do projeto, Joca Reiners Terron, em seu blog, em uma nota de esclarecimento, fez questão de dizer que não tem nada a ver com isso. Note que ele é bem enfático e claro ao afirmar.
Uma dos artigos a respeito é o do Paulo Polzonoff Jr que trata não só dos Amores Expressos, mas de todo e qualquer projeto financiado por alguma lei de incentivo. Ele sugere simplesmente o boicote aos tais Amores Expressos e a obras que tenham sido possibilitadas com recursos vindos da renúncia fiscal.
Minha atitude em relação a filmes, peças, exposições, shows e livros com a logomarca das leis de incentivo à cultura é uma só: o boicote. É pouco, mas é o que eu posso fazer. Não vejo peças de Marília Pêra, não vou a shows de Chico Buarque, não vejo exposição do Itaú Cultural, não vejo filmes do Cacá Diegues e não leio livros da coleção Amores Expressos.
Ele completa:
Não chega a ser um sacrifício. A verdade é que nada disso faz falta realmente. Nada.
Já Saint-Clair Stockler, em seu artigo sobre os Amores Expressos, chama a atenção para o fato de que entre os 16 escritores há tantos que sequer publicaram livros ainda.
Em princípio, não vejo nada de errado em um Projeto literário dessa natureza. A coisa começa a me cheirar mal, muito mal mesmo, é quando numa lista de 16 autores, alguns fazendo parte do time dos maiores escritores brasileiros vivos, aparecem também nomes de ilustres desconhecidos, que nunca jamais publicaram um livro sequer. Algum de vocês imagina um Projeto semelhante, no qual, por exemplo, 16 autores portugueses – Saramago, Lobo Antunes, Lídia Jorge, Inês Pedrosa, José Luis Peixôto, entre outros – são convidados a passar um mês com tudo pago em uma dentre 16 cidades brasileiras, todos esses grandes autores portugueses, e mais um punhado de “escritores” sem livros publicados, inéditos? Se o Projeto é um “projeto literário” a primeira coisa a ser observada na escolha dos escritores é sua produção literária, certo? Ou será que eu enloqueci e estou querendo demais?











