Quando eu era criança estudei numa escola com grandes janelas abertas. Existia um muro em volta dela, praticamente, insignificante,que apenas servia para delimitar o espaço e pendurar a placa “Escola” com o respectivo nome.

Hoje escolas não são mais assim…

Essa foi a escola que ficou na minha mente e no meu coração. Abrir uma janela pode significar o não sufocamento do pensar.

Não é fechando uma janela que se prende a atenção em um ponto.

Na faculdade, aprendi que uma das funções de locais fechados era confinar pessoas.

Isso mesmo: confinar!

Era o que acontecia àquela época em que mudei de escola, antes mesmo de saber o que significa confinar.

A propósito confinar significa, segundo o Houaiss:

  1.  fazer fronteira (com)
  2.  traçar os limites à volta de; demarcar
  3. restringir(-se), limitar(-se)
  4. absorver-se, ater-se, concentrar-se
  5. encarcerar(-se), encerrar(-se)

E comecei a me lembrar que dentro em pouco as escolas, ainda em minha infância, começaram a tornar-se locais de segurança como muros altos, portões, grades, arames farpados, cacos de vidros, fios elétricos. Isso tudo que em Direito chamados de ofendículos.

De escola, daquela escola que eu carregava dentro da minha mente e do meu coração, nada mais restava, senão um local onde se ficava trancado 5 horas por dia.

Não sei o que mudou, se as coisas, as circunstâncias ou se as pessoas.

As pessoas com certeza não mudaram para melhor. Não falta no noticiário notícias de computadores roubados em escolas e creches com sua comida assaltada e tudo quebrado e jogado pelo chão.

Em parte explica essa tristeza, em parte mostra que destruimos o único lugar capaz de nos dar dignidade.

Vi essa matéria sobre escolas sem muro, e essa lembrança voltou.

A escola é Vittra Telefonplan, localizada em Estolcomo, na Suécia, na qual o lema é que “o espaço físico da escola é a ferramenta mais importante”.

Não há muito o que falar, vejam as fotos que falam por si mesmas.

Na verdade nem precisamos de tanto, pode ser até uma aula no parque, no centro da cidade, embaixo de uma árvore, com a janela aberta para a vida!

(Fonte)

Sobre o autor: Roberta Fraga

Crio seres imaginários, escrevo contos, costuro histórias.