Fiquei muito feliz com a reação dos leitores com o artigo sobre os ex libris. Uma dessas reações que deixou-me muito animado foi a do Erwin Maack, que enviou-me nos comentários o roteiro de criação do seu ex libris e, pouco depois a imagem que usa em seus livros.
Como me explica, ele costuma colocá-lo no canto inferior direito da primeira folha em branco. Ele é feito tem um formato de 10 centímetros por 15 e, para efeitos práticos, é auto-adesivo.
Para quem não leu o comentário dele, que assina como Djabal, aqui reproduzo:
Ex libris é uma demonstração de carinho para com o livro. Aliás, foi um dos tópicos de conversa, tempos atrás. Lembra?
(…) colocar um selo na primeira folha demonstra quem é o possuidor daquele livro e, mais, o que é que ele pensa a respeito das coisas, inclusive daquele próprio livro.
Algum tempo atrás pensei em elaborar uma marca dessas e numa história que tivesse me marcado para sempre. E ela veio à mente: José e seus irmãos.
Fiquei impressionado com a capacidade de José de conter seus instintos mais primitivos quando negou-se a dormir com Zuleika, mulher de Putifar – aquele que o acolheu, abrigou e o tornou seu braço direito – recusa essa que foi tomada como rejeição pura e simplesmente e lhe causou a prisão e muito mais….
Jamais consegui controlar-me em situações semelhantes, sempre deixe-me levar pelos instintos. Admirei profundamente seu caráter, capacidade e resistência.
Pois bem; procurei ler as histórias no original e delas tirei a frase principal de toda a história:
Dorme comigo.
Essa simples frase em português poderia ter uma interpretação completamente diferente do contextual, portanto a coloquei na língua original, pelo menos para nós: o latim. Já que o grego ou aramaico acarretariam outras dificuldades técnicas e assim ficou: dorme mecum.
Qual imagem escolheria?
Contei essa história para uma amiga e ela, que é artista plástica, desenhou uma orquídea. Pelos motivos mais simples: é a forma mais provocante da natureza e é o mais desenvolvido organismo vegetal existente. Em síntese, é quase um animal.
E assim foi que escolhi a imagem.
As letras: tamanho e forma, encontrei aquelas que eram utilizadas no tempo de São Jerônimo, que cuidou de traduzir a bíblia para o nosso ancestral latim. E pronto. Estava completa a operação de escolha do “ex-libris”.
Hoje, quando presenteio um amigo, deixo o selo no livro, para que ele procure esse caminho, que até hoje não encontrei.

Sei que muitos de vocês já estão pensando em seus próprios ex libris. Quando o seu estiver pronto, não esqueça de enviar para mim.
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