Mais alguns epitáfios interessantes de famosos escritores, mas, antes, aproveite para ver os Epitáfios de escritores (Parte I).

Charles Bukowski (1920 – 1994)

Don’t try

“Não tente”

Essa frase de Bukowski pode parecer pessimista, mas é justamente o contrário, a intenção dela é como um “não tente, faça”. Essa frase ele utilizou algumas vezes, em entrevistas e cartas (via Open Culture), uma delas foi quando um jornalista lhe perguntou como ele escrevia e criava e ele respondeu: “você não tenta. Isso é muito importante: não tentar, isso vale para Cadillacs, criação ou imortalidade. Você espera, e se nada acontece, você espera mais um pouco. É como um grande inseto na parede. Você o espera vir até você. Quando ele chega perto o bastante para você pegá-lo, você lhe bate e mata. Ou faz dele um animal de estimação caso goste da sua aparência”.
22Bukowski

Edith Mary Tolkien (1889 – 1971) e J. R. R. Tolkien (1892 – 1973)

“Luthien” e “Beren”

Os nomes Luthien e Beren logo abaixo dos nomes de Edith e J. R. R. Tolkien, respectivamente, são dos personagens do livro “O Silmarillion”. Nesta carta para um de seus filhos, Tolkien diz que apesar de nunca ter chamado Edith de Luthien, foi ela, a sua esposa, a inspiração para a personagem.
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Robert Stevenson (1850 – 1894)

Under the wide and starry sky
Dig the grave and let me lie;
Glad did I live and gladly die
And I laid me down with a will.

This be the verse you grave for me:
Here he lies where he long’d to be;
Home is the sailor, home from the sea
And the hunter home from the hill.”

“Sob o céu vasto e estrelado
Cava a sepultura e deixa-me descansar;
Alegre vivi e alegremente morri
E fui deitar-me deixando um legado.

Será este o verso que me gravarás:
Aqui descansa ele onde desejava estar;
O marinheiro em casa, regressado do mar,
O caçador no lar, regressado do monte.” (Tradução de Helena Barbas)

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F. Scott Fitzgerald (1896 – 1940)

So we beat on, boats against the current, borne back ceaselessly into the past.

“E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado.”

No túmulo de Fitzgerald e Zelda, sua esposa, foi colocada a última frase de “O Grande Gatsby“.

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Vicente Huidobro (1893 – 1948)

Abrid la tumba
al fondo de esta tumba se ve el mar”

“Abra a tumba
ao fundo desta tumba se vê o mar”

Enterrado em uma colina em frente ao mar, teve o seu epitáfio escrito pela sua filha Manuela e pelo poeta Eduardo Anguita.

25HuidobroJonathan Swift (1667 – 1745)

Hic depositum est Corpus
Jonathan Swift S.T.D.
Hujus Ecclesiae Cathedralis
Decani
Ubi saeva Indignatio
Ulterius
Cor lacerare nequit.
Abi Viator
Et imitare, si poteris,
Strenuum pro virili
Libertatis Vindicatorem.”

Aqui jaz o corpo de
Jonathan Swift, Doutor em Teologia.
Deão desta cadetral
Onde a colérica indignação
Não poderá mais
dilacerar-lhe o coração.
Vá, viajante,
E imite, se puderes,
Esse que se consumiu até o extremo
Pela causa da Liberdade.”

26Jonathan Swift

Oscar Wilde (1854 – 1900)

And alien tears will fill for him 
Pity’s long-broken urn, 
For his mourners will be outcast men, 
And outcasts always mourn.”

“E por um pranto estranho a urna da Compaixão,
Trincada, será enchida,
Pois párias vão pranteá-lo, e os párias choram sempre,
E choram sem medida.” (Tradução de Paulo Vizioli)

Esse epitáfio é um trecho do seu poema “The Ballad of Reading Gaol” (ou “A Balada do Cárcere de Reading”). Oscar Wilde o escreveu na prisão de Reading, na qual cumpriu a sua pena de trabalhos forçados por crimes de conduta homossexual.

E as marcas que podemos ver na foto são mesmo de batom: esse era um costume que as visitantes do seu túmulo tinham até  2011, quando a sua família decidiu “proteger” o túmulo com um vidro, fazendo com que as pessoas não mais tivessem acesso à pedra e não mais pudessem beijá-la.

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Sobre o autor: Raul Maciel

Estudo Ciências Econômicas e não descobri qual é o meu grande talento (sim, ainda espero ter algum). Cheiro livros, jogo futebol e gosto do ponto e vírgula; ainda que não saiba utilizá-lo. Andando sozinho me policio para não pisar nas linhas da calçada enquanto penso em alguma coisa sobre coisa nenhuma.