Você já parou para pensar no seu epitáfio?

Muitas vezes, além do nome e da data, o túmulo acaba levando alguma frase, um epitáfio. Vi um post sobre epitáfios de escritores no Papel en blanco e a partir dele, e também fazendo algumas buscas no Find A Grave (um curioso site que foi lançado com a idéia de registrar os locais dos túmulos de algumas celebridades, mas que hoje já conta com mais de 100 milhões de registros), eu reuni aqui os epitáfios de alguns escritores. Alguns foram escritos por pessoas próximas, como uma homenagem, como a maioria dos epitáfios, enquanto outros são dos próprios escritores.

Edgar Allan Poe (1809 – 1849)

Quoth the Raven: Nevermore.

“Disse o corvo: nunca mais.”

Trecho retirado do seu poema “O Corvo” (clique aqui para ler o original ou clique aqui para ler o poema traduzido).

Edgar Allan Poe

William Shakespeare (1564 – 1616)

Good friend for Jesus’ sake forbear,
to dig the dust enclosed here.
Blessed be the man that spares these stones,
And cursed be he that moves my bones.

“Bom amigo, por Jesus, abstenha-se
de cavar o corpo enterrado aqui.
Bendito seja o homem que respeitar essas pedras,
E maldito o que remover os meus ossos.”

Shakespeare

Arthur Conan Doyle (1859 – 1930)

Steel true,
blade straight,
Arthur Conan Doyle,
Knight,
patriot, physician and man of letters.

“Cavaleiro, patriota, médico e homem das letras.”

Steel true, blade straight“, ainda que tenha conseguido entender, não sei qual é a melhor maneira de traduzir para o português (sugestões?) e pelo que eu encontrei em alguns sites (como esse texto da The Paris Review) tem muito a ver com os valores e princípios de Conan Doyle, que jogava golf e cricket, livrou inocentes de serem presos, escrevia panfletos de apoio ao governo, serviu como médico em combates e foi nomeado cavaleiro pelo então rei da Inglaterra.Conan Doyle

Robert Lee Frost (1874 – 1963)

I had a lover’s quarrel with this world.

“Eu tive uma briga de amantes com este mundo.”

Trecho do seu poema “The Lesson for Today“.

Robert Frost

Enrique Jardiel Poncela (1901 – 1952)

Si buscais los máximos elogios, morios.

“Se busca os maiores elogios, morra.”Enrique Jardiel Poncela

Jane Austen (1775 – 1817)

In Memory of JANE AUSTEN, youngest daughter of the late Revd GEORGE AUSTEN, formerly Rector of Steventon in this County. She departed this Life on the 18th of July 1817, aged 41, after a long illness supported with the patience and the hopes of a Christian. The benevolence of her heart, the sweetness of her temper, and the extraordinary endowments of her mind obtained the regard of all who knew her and the warmest love of her intimate connections. Their grief is in proportion to their affection, they know their loss to be irreparable, but in their deepest affliction they are consoled by a firm though humble hope that her charity, devotion, faith and purity have rendered her soul acceptable in the sight of her REDEEMER.

“Em memória de JANE AUSTEN, filha mais nova do falecido Rev. GEORGE AUSTEN, ex-pároco de Steventon, neste Condado. Deixou a vida aos 18 de julho de 1817, aos 41 anos, após longa enfermidade suportada com a paciência e as esperanças de um cristão. A benevolência de seu coração, a doçura de seu temperamento, os extraordinários dotes de seu espírito granjearam a consideração de todos os que a conheceram e o mais cálido amor daqueles que lhe eram íntimos. Destes, o pesar será tão grande quanto seu afeto, sabendo que a perda é irreparável, mas em sua aflição mais profunda sentem-se consolados pela firme embora humilde esperança de que a sua caridade, devoção, fé e pureza terão tornado sua alma aceitável aos olhos de seu REDENTOR.” (Tradução de Ivo Barroso)

Jane Austen

Jorge Luis Borges (1899 – 1986)

… And ne forhtedon na

“… e não tenha medo”

A frase é do poema “The Battle of Maldon“, escrito em inglês antigo, e em inglês moderno (de acordo com essa tradução) significa “and be not afraid”.

Jorge Luis Borges

Rainer Maria Rilke (1875 – 1926)

Rose, oh reiner Widerspruch, Lust,
Niemandes Schlaf zu sein unter soviel
Lidern.

“Rosa, ó pura contradição, prazer
de ser o sono de ninguém sob tantas
pálpebras.”

Rilke

Sobre o autor: Raul Maciel

Estudo Ciências Econômicas e não descobri qual é o meu grande talento (sim, ainda espero ter algum). Cheiro livros, jogo futebol e gosto do ponto e vírgula; ainda que não saiba utilizá-lo. Andando sozinho me policio para não pisar nas linhas da calçada enquanto penso em alguma coisa sobre coisa nenhuma.