Entrevista com Clarice Lispector
7 de maio de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 18 Comentários »Devo dizer que o único livro de Clarice Lispector que realmente li foi Laços de Família, de contos, sendo que, deste, o meu preferido é O Búfalo. Foi no primeiro ano do curso de jornalismo, quando entre as sugestões do professor Cristóvão Tezza, escolhi, além dele, Ficções – de Jorge Luís Borges – e Pergunte ao Pó – de John Fante.
Sei que há entre os leitores desse blog diversos fãs da escritora de origem ucraniana. Portanto, eis esta entrevista que ela deu à TV Cultura em 1977:
Se você gostou, ainda há uma segunda e uma terceira parte da entrevista.

Eu morro de medo dela nessa entrevista. Nem cliquei. Com todo respeito.
Confesso que eu também tenho um certo medo, Tina… dá até dó do entrevistador. Hehehe.
Nunca li um livro dela, mas já assisti a essa entrevista na casa de um amigo, gostei bastante.
Olá Alessandro,
que coisa hein? Gostei demais deste post… obrigada pela indicação.
Gosto bastante dos livros da Clarice. Se não me esqueço de nenhum li cinco até agora… e acho que está na hora de ler outro… rs
Ah, só uma duvida: os livros que aparecem aqui no blog nas “propagandas” – digamos assim – você os leu ou eles são aleatórios? Pois se os leu podes dizer que já leu 2 livros da Clarice, já que sempre vejo o livro “cartas ao coração” que são as cartas trocadas entre o Fernando Sabino e ela… não?
Um abraço
Medo dela? É parece ser bem fechada, além do sotaque que dá um toque estranhos…
Mas engraçado, nesta ultima entrevista ela lembra um bocado uma tia minha… hahahahahha
bjo
Oi, Maga, nos livros que indico estão não só livros que li, mas livros que gostaria de ler. O Cartas ao Coração especificamente são uma troca de correspondência entre Fernando Sabino e Clarice Lispector. Como ele é um dos meus preferidos e ela uma escritora com quem simpatizo – por ter lido Laços de Família e gostado – achei que seria uma boa dica, sobretudo para quem gosta de cartas…
E, apesar de na entrevista ela parecer um tanto carregada, não duvido que ela devesse ser uma pessoa muito legal… sobretudo com crianças. Do tipo que serve biscoito com leite… e possivelmente gosta de biscoito com leite.
Beijos!
Apesar de Clarice, sim, às vezes me agradar, essa entrevista me dá certa náusea. Suas respostas, gestos e expressões jungo das respostas concedidas ao entrevistador mostram uma personalidade que ela até podia achar que era a ideal para ser mostrada, não fosse ter simulado mal. Pode ter sido uma escritora de renome, mas boa atriz, nota-se pela entrevista, ela nunca foi. Sim, porque, o que se vê na entrevista é qualquer outra aberração, menos a Clarice Lispector propriamente dita.
Sinceramente, não sei, Rui… não a conheci pessoalmente e nem tenho conhecimento de outras entrevistas… Abraços!
Ok, peguei pesado. Também não conheci a Clarice pessoalmente, falei mais pelas impressões do vídeo, que já havia assistido umas outras duas vezes na TV Cultura. Mas se a Clarice fosse mesmo como ela se comporta na entrevista, fico contente de não tê-la conhecido.
É isso.
Abraço.
Ah… acho que foi apenas um dia ruim… acontece… rs… Abraços, Rui!
Pessoal, preciso entrar na defensiva. Clarice quando deu esta entrevista, pelo que me consta, já estava doente e esse seu “estado de espírito” é real sim. Quanto o valor de suas obras, é inquestionável.
Abraços.
Olá.
Pelo pouco que sei sobre Clarice ela auto afirma seu mal humor na entrevista dizendo que estava cansada. Perío do complicado para ela, como afirmou Kaká.
Quem assiste somente a essa entrevista préjulga Clarice erroneamente. Sim ela é misteriosa. Não apresenta nenhuma expressão facial durante a entrevista. O máximo que faz é mexer as mãos e as vezes ajeitar-se.
Tem uma outra entrevista em que é perguntado quase a mesma coisa que ela se nega a responder nesta…ela fica olhando o entrevistador 20 minutos sem expressao alguma. Isso foi ao ar.
Quem por favor conseguir achar agradeceria muito se me enviasse.
Bom dia a todos.
Esta entrevista foi dada por Clarice em 1977, um pouco antes dela falecer de câncer nos ovários. Já em estado terminal, a escritora brilhante e um ser humano transparente nos seus textos, deixa claro o seu cansaço [com a vida, com ela mesma, mas tb porque estava num hiato criativo]. A entrevista mostra uma Clarice humana, extremamente humana. Belíssima na sua tristeza, afiada e inteligente, sincera e desconcertante. Uma mulher intensa. Adorei ver esta entrevista [vi na exposição A Hora da Estrela, no CCBB Rio, que ainda está acontecendo]. Isso é Clarice e está em cada um de seus livros, contos e crônicas! paz e bem para todos! ;)
Pirilampa, muito obrigado pelas informações a mais… só acrescentou ao conteúdo do blog. Volte sempre… Abraços do Ale.
esse Rui de Lucca é de uma ignorância emocional atroz, como pode ser tão cretino a ponto de julgar dessa forma uma criatura como Clarice, pois não a sinto de mau humor, ela esta triste, melancólica, e mesmo assim diz coisas muito positivas, fala da alegria de perceber jovens totalmente a seu lado, não mostra arrogância, soberba, orgulho ou qualquer coisa semelhante. Como a própria Clarice diz, “ou toca ou não toca”, você tem que sentir o que ela diz. O que vejo ali nessa entrevista é uma pessoa sofrida e muito benevolente, vejo uma espiritualidade elevada porem muito cansada, me assusta e eu adoro.
Náuseas deve causar se você não esta emocionalmente preparado para “sentir”.
Thiago,
veja só como eventualmente somos espelho das coisas que nos irritam. O Rui julgou a Clarice Lispector por uma mínima entrevista e você o julgou por um mínimo comentário. Suponho que todos estejam errados aqui, inclusive eu. Sentir, de fato, pede a compreensão do outro, algo que nos proporciona a literatura de Clarice Lispector, por exemplo.
Abraços fortes do Alessandro.
Alessandro
Você não esta errado não cara, realmente julguei o Rui por um comentário e você me “leu”, interpretou e julgou, você esta errado ao fazer isso? Penso que não, você parece ter boa argumentação e não escreveu nenhuma besteira, respeito isso (viu só to julgando de novo baseado em critérios imperfeitos, mas em critérios).
Embora você seja incapaz de me perceber como um todo, alguma coisa você foi capaz de captar, e interpretar, e porque? Porque dispõe de ferramentas adequadas pra isso, em algum nível todos dispomos dessa habilidade.
Segundo Michel Foucault as pessoas se revelam por seus discursos ( palavras, atos, e silêncios são discursos), essa história de julgar ou não julgar os outros bla bla bla , isso é senso comum, moralidade besta ( ver Nietzsche), todo mundo julga ora bolas ( dizer na cara de alguém o que você pensa já é outra história). No entanto meu caro, ao julgar alguma coisa ou alguém devemos dispor de “ferramentas teóricas “, isso demonstra bom gosto, cuidado e coerência. Em um jargão mais coloquial deve-se conhecer bem sobre o que se está falando para não falar qualquer merda.
Então, concordo, com você, na verdade achei genial a reflexão sobre ser espelho do que nos irrita, vou roubar essa frase e colocar na boca de algum dos meus personagens, mas não posso concordar com o fato de estarmos todos errados, não acho que você está errado em julgar minha opinião sobre o Rui, e mesmo o Rui e seu comentário sobre Clarice não esta errado (, cada um vê o que sua maturidade permite ver( por isso Clarice ganha na releitura), se não há uma verdade clara e cristalina e tudo é objeto de imperfeitas interpretações (EU DIRIA NECESSARIAS INTERPRETAÇÕES), então também não há um erro absolutamente perfeito, desse ponto de vista, somos todos gênios e babacas ao mesmo tempo, isso é tão democrático.
Minha opinião sobre o comentário do Rui é baseada em anos de leituras, um mestrado em psicologia, e um gosto pela agressividade. veja como estou me revelando pelo meu discurso, quanta informação alguém atento pode colher sobre o que se passa na minha cabeça apenas lendo esse misero comentário, embora sejam informações incompletas, ainda sim são informações suficientes nos critérios de alguém para gostar ou para odiar, dizer que as pessoas não são assim revela insegurança, ou alguém que já padeceu no purgatório por causa dos comentários e maldades dos outros e por isso hoje tem medo de julgar, fica ponderado, fica morno, fica meio termo, são qualidades é claro. Parabéns
Abraços