O mercado editorial é um dos mais difíceis. O Paulo Polzonoff Jr. recentemente manteve uma editora e, diante da lógica que impera nesse meio, preferiu largar os betes. Ele conta a sua experiência em um texto que serve de retrato do modo como funciona a venda de livros atualmente. Destaco nele alguns pontos:
- Consignação
Exceto as grandes editoras, as demais precisam trabalhar em consignação. Isto é, a livraria faz o “favor” de expor um livro. - Porcentagens
- O autor, que teve o trabalho de escrever o livro, leva 10% sobre o preço final.
- O editor, que tem o trabalho de editar o livro, o que pressupõe uma série de tarefas, como arranjar capista, revisor e diagramador, além de cuidar da parte gráfica propriamente dita ganha menos de 10% sobre o preço final.
- A livraria, que fez o “favor” de expor o livro leva 40%.
- Portanto, o livro vendido por R$ 20, dá à a livraria por R$ 12, 60% de seu valor final ou 40% de lucro.
- Risco zero para a livraria
Se o livro não vender ela também não tem prejuízo algum. É um negócio de risco mínimo. - Pagamentos
Não bastasse isso, os pagamentos são efetuados em um prazo de 60 dias. - Editoras grandes
As grandes editoras não trabalham com consignação. Vendem seus livros para as livrarias. Logo não precisam se preocupar tanto com a venda ao consumidor. Passam a responsabilidade para a livraria, por um percentual maior, que gira entre 50% e 60%.- Aquele mesmo livro que custará ao leitor R$ 20 sai para a livraria por R$ 10 ou R$ 8.
- A livraria tem todo o interesse do mundo em vender o livro caso contrário levará prejuízo.
- Livros que aparecem nas vitrines nunca estão ali em consignação.
- Jogo de empurra
As grandes editoras vendem pacotes. Para adquirir o lançamento de um escritor que vende bem, a livraria precisa levar escritores tão medíocres quanto, mas que não vendem tão bem. Esses outros, por piores que sejam, também vão para uma posição de destaque, pois a livraria não pode levar prejuízo. - Mendigos
Editora pequena é tratada como mendigo. A livraria age como se estivesse fazendo o favor de vender o livro, como se ela não tivesse retorno algum com aquilo.
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