Livros e afins

Procure no Blog

Submarino.com.br

Entenda a lógica estúpida do mercado editorial em 7 tópicos

9 de março de 2007 | Publicado na Categoria Livros e afins | 43 Comentários »

O mercado editorial é um dos mais difíceis. O Paulo Polzonoff Jr. recentemente manteve uma editora e, diante da lógica que impera nesse meio, preferiu largar os betes. Ele conta a sua experiência em um texto que serve de retrato do modo como funciona a venda de livros atualmente. Destaco nele alguns pontos:

  1. Consignação
    Exceto as grandes editoras, as demais precisam trabalhar em consignação. Isto é, a livraria faz o “favor” de expor um livro.
  2. Porcentagens
    • O autor, que teve o trabalho de escrever o livro, leva 10% sobre o preço final.
    • O editor, que tem o trabalho de editar o livro, o que pressupõe uma série de tarefas, como arranjar capista, revisor e diagramador, além de cuidar da parte gráfica propriamente dita ganha menos de 10% sobre o preço final.
    • A livraria, que fez o “favor” de expor o livro leva 40%.
    • Portanto, o livro vendido por R$ 20, dá à a livraria por R$ 12, 60% de seu valor final ou 40% de lucro.
  3. Risco zero para a livraria
    Se o livro não vender ela também não tem prejuízo algum. É um negócio de risco mínimo.
  4. Pagamentos
    Não bastasse isso, os pagamentos são efetuados em um prazo de 60 dias.
  5. Editoras grandes
    As grandes editoras não trabalham com consignação. Vendem seus livros para as livrarias. Logo não precisam se preocupar tanto com a venda ao consumidor. Passam a responsabilidade para a livraria, por um percentual maior, que gira entre 50% e 60%.

    • Aquele mesmo livro que custará ao leitor R$ 20 sai para a livraria por R$ 10 ou R$ 8.
    • A livraria tem todo o interesse do mundo em vender o livro caso contrário levará prejuízo.
    • Livros que aparecem nas vitrines nunca estão ali em consignação.
  6. Jogo de empurra
    As grandes editoras vendem pacotes. Para adquirir o lançamento de um escritor que vende bem, a livraria precisa levar escritores tão medíocres quanto, mas que não vendem tão bem. Esses outros, por piores que sejam, também vão para uma posição de destaque, pois a livraria não pode levar prejuízo.
  7. Mendigos
    Editora pequena é tratada como mendigo. A livraria age como se estivesse fazendo o favor de vender o livro, como se ela não tivesse retorno algum com aquilo.

Serviço

Compare preços de livros sobre livrarias, mercado editorial e estupidez.

Posts relacionados

43 Comentários para “Entenda a lógica estúpida do mercado editorial em 7 tópicos”

  1. Iv Farias - 9 3 2007 às 13:20

    É! Tenho passado por esse problema nos ultimos meses. Sem contar o fato de que; quando você manda o livro ela chega a demorar meses para te dar uma resposta se vai te fazer o “favor” de publicar ou não. Acho isso tudo horrivel e desgastante.
    Achei uma boa você publicar isso Ale, muitos pretendem escrever livros e ainda não sabem das coisas que estão por vir. Seria muito simples a editora, editar e você se preocupar com a venda e distribuição. Pelo menos é a minha preferencia.

    Estive com problemas de saúde, mas estou de volta ao rebanho.
    Senti saudades, abraços Ale.

    Resposta: Pois é. A edição é outra história triste. Eu sugiro que esqueça as editoras e busque algo como o Lulu e o Blurb. Eu já estou editando um livrinho aqui para dar para os amigos e vender informalmente através do Lulu. Vou fazer um teste para ver se funciona.

    Abraços!

  2. Mario - 9 3 2007 às 15:50

    Alê, gostei muito deste seu post. Você sabe dizer como funciona esse mesmo mercado na Europa e no Estados Unidos? A relação entre autor, editora e livrarias é assim igualmente prejudicial?
    Abraços, Mário.

    Resposta: Não sei dizer, Mario. Como eu disse no texto, tudo o que eu sei é através da experiência de meu amigo.

    Abraços!

  3. Thássius Veloso - 9 3 2007 às 16:19

    Infelizmente, num país sem cultura, ainda se torna mais difícil distribuí-la. Sei que na Europa o custo de um livro é bem inferior do que o mesmo aqui no Brasil.

    Resposta: Quanto ao preço não sei, mas certamente o livro está mais presente na vida das pessoas nessas regiões.

    Abraços!

  4. leanDrow - 9 3 2007 às 17:03

    É como disse o Thássius Veloso, é difícil generalizar isso porque engloba uma série de outros fatores. Mas país de terceiro mundo… é isso.

    Resposta: Pois é. Não sei como é nos outros países, mas aqui é assim… mas mais do que ficar reclamando, gosto da idéia de buscar alternativas… afinal, um escritor não precisa publicar apenas em livros. O livro é apenas um meio. Se os escritores publicassem em garrafas, eu estaria falando de garrafas aqui com muito gosto. Por isso, eventualmente eu falo de blogs e posso vir a falar de outros meios também… acho que eu devo seguir por aí, falar de alternativas ao livro também…

  5. Paulo Polzonoff Jr - 9 3 2007 às 17:27

    Aqui nos EUA, pra começo de conversa, o autor não interage de imediato com a editora. Há a figura intermediária do agente, o que é uma coisa boa para ambas as partes. Agentes no Brasil são raros, infelizmente.

    O mercado americano viu com assombro o crescimento exponencial das grandes cadeias de livro, em especial a Barnes & Noble e a Borders. Por causa delas, muitas livrarias pequenas fecharam as portas (só aqui em NY foram duas livrarias tradicionais fechadas nos últimos dois meses). Isso é ruim? Para o consumidor, de modo algum. Para os tolos românticos, com certeza.

    Aqui o capitalismo é levado a sério, por mais selvagem que seja. A relação entre editoras e cadeias de livrarias, no entanto, é de colaboração. Elas sabem que dependem uma das outras.

    A BN oferece desconto de 40% sobre o preço de capa. Suponho que ela ganhe no volume de livros vendidos. Para a editora, o preço de distribuição deve ser parecido com o do Brasil (50 ou 60%). O que faz a diferença, novamente, é o volume.

    Pequenas editoras passam por dificuldades aqui também. Mas não me consta que a BN tenha, como a Siciliano tem, uma política expressa de não comprar livros de editoras pequenas. A diferença é esta: profissionalismo. Afinal, um livro de uma editora pequena pode, sim, virar best-seller.

    (Mas basta você ir a uma Siciliano ou a uma Saraiva e depois a uma BN ou Borders para perceber a enoooooooooooooorme diferença entre elas. As cadeias aqui são de livros mesmo. As brasileiras são de material escolar. Livros são um adendo).

    Mas o leitor também tem culpa nesta história. No momento em que ele passa a aceitar os preços absurdos impostos pelas grandes editoras, por exemplo. Ou quando ele não exige livros de qualidade. Ou ainda quando ele elege determinada editora como símbolo de status (sim, status!).

    Ou seja: tudo tão errado que dá até preguiça. E eu ainda estou gripado. Vou voltar pra cama.

    Abs

    Resposta: Af. Vou ser obrigado a usar seu comentário em outro post. Você vai acabar virando sócio disso aqui…

    Abraços!

  6. Thássius Veloso - 9 3 2007 às 18:44

    Alê, não tenha dúvidas disso. Posso falar da Alemanha. Lá as pessoas realmente prezam pelos livros, compram em grandes quantidades e mantêm bibliotecas em casa. Mas não por achar bonito, mas sim por lerem com freqüência e também como fonte de consulta.

    Imagine qual não é a beleza de ler a luz da lareira queimando, e vendo a neve cair lá fora. Além de tudo, a cena é bem mais romântica. xD

    Resposta: Deu até saudade do frio, Thássius!

  7. Fabiana - 9 3 2007 às 21:50

    O pior é que muitas editoras recusam ótimos livros de escritores “desconhecidos” e publicam textos da Bruna Surfistinha.

    Resposta: Hehehe. Uma grande editora não está interessada em um best-writer, mas em um best-seller. Se eles coincidirem e forem a mesma pessoa é isso: coincidência.

  8. Paulo Polzonoff Jr - 9 3 2007 às 21:53

    Ah, Fabiana, deixa disso. Neste caso, vale a lógica do mercado. Se vender, é publicado. Sucesso editorial nada tem a ver com qualidade literária.

    Resposta: Como eu disse à Fabiana, só mesmo uma grande coincidência pode colocar um best-writer e um best-seller no corpo de uma mesma pessoa.

    Ou isso ou um menáge-a-trois literário.

    Abraços!

  9. Rui de Lucca - 10 3 2007 às 11:00

    Exatamente. Pior do que o livro físico sumir é sumir obras de autêntico valor literário, por causa dessa política de custo-benefício das grandes livrarias.

  10. Paulo Polzonoff Jr - 10 3 2007 às 13:47

    Ontem à noite eu estava pensando e achei por bem vir aqui e dizer isso:

    Hoje em dia eu já nem sei se devem existir editoras pequenas ou, pior, editoras de aluguel. A lógica do mercado é perniciosa para os consumidores. Este é o problema que mais me interessa. Do ponto de vista do autor, acho que as grandes editoras fazem um grande papel eliminando as muitas porcarias que chegam. Que alguma coisa boa acabe ficando retida no filtro, bem, este é o preço que se paga.

    Resposta: Sim… mas o filtro também deixa passar muita porcaria. A gente sabe bem disso…

    Por falar em filtro, o que dizer do filtro das leis de incentivo à cultura, hein? Lembra de um livro infantil que caiu na nossa mão uma vez? Que vergonha aquilo…

    Abraços!

    abs

  11. _Maga - 10 3 2007 às 18:55

    Sabe o que é pior de tudo? É que mesmo assim ter uma livraria no Brasil não é um bom negocio. E isso porque os brasileiros simplesmente não lêem.

    … pelo jeito não apenas a lógico é estupida…

    bjos

  12. Fabio - 10 3 2007 às 21:34

    Trabalhei durante mais de 10 anos no mercado editorial e pude constatar que há muita “desinformação” em relação a esse assunto.

    1 – A Companhia das Letras, Editora Record, Objetiva, Rocco, Best Seller são maiores editoras do país e os seus livros são 90% distribuidos por consignação.

    2 – o Livro Código de Defesa do Consumidor comentado pelos autores do anteprojeto editado pela Forense Universitária era vendido por R$ 159,00 e seu custo total foi de R$ 5,90 por unidade.

    3 – As livrarias tem um custo de operação muito alto (funcionário, água, luz, aluguel,etc) e ainda dependendo da região são obrigadas a oferecer descontos de 20%. Somente as grandes redes tem condições de sobreviver no mercado. Livrarias iguais à Boa Vista, Formainforma, Quintino encontram muitas dificuldades para se manterem.

    4 Em média o pagamento deve ser efetuado no prazo de 35 dias. Somente algumas editoras, dependendo do valor, permitem um prazo maior.

    E por ai vai…

    Resposta: o lado das pequenas livrarias, nesse caso, parece ser tão difícil quanto o das pequenas editoras. Quanto ao resto das informações que postei, creio que são verdadeiras, pois em primeiro lugar vem de uma pessoa em quem confio e, em segundo, esta pessoa também trabalhou no meio editorial.

    Abraços!

  13. Paulo Polzonoff Jr - 10 3 2007 às 23:39

    Fábio, não quero começar um debate num espaço alheio. Só quero deixar registrado uma coisa: você está mentindo (ou, na melhor das hipóteses, enganado) nos itens 1 e 4.

    Resposta: Possivelmente um debate seria mais legal…

    Abraços!

  14. Fabio - 11 3 2007 às 0:06

    Paulo, não estou enganado e muito menos mentindo ( uma acusação sem necessidade), como disse trabalhei por 10 anos nesse mercado, em duas editoras e outras tantas livrarias. Fui responsável algumas vezes pela aproximação do autor com a Editora e outras vezes da editora com as livrarias. Conheço muito bem o mercado editorial brasileiro, sei das suas qualidades e de suas falhas (mais falhas por sinal). As informações que tenho são verdadeiras É muito fácil provar.

    Por favor se for responder não me agrida novamente. Podemos conversar de maneira civilizada. É assim que deve ser. Ou não?

    Resposta: Creio que os dois têm razões para pensar como pensam e, não há dúvida, que mentindo ninguém está. Talvez saibam ângulos diferentes de uma mesma verdade. De fato, não há razão para troca de agressões e a troca de experiências poderá esclarecer um pouco mais essa história do mercado editorial… isso me interessa muito e interessa a quem visita este espaço.

    Afinal, todo mundo conhece a história dos cegos examinando o elefante…

    Abraços!

  15. Paulo Polzonoff Jr - 11 3 2007 às 14:30

    Fábio, desculpe. É que fico puto da cara quando me chamam de desinformado. Ainda mais em se tratando de algo que eu vivi. Mas tudo bem. Eu estava mesmo de mau humor quando respondi seu comentário.

    Sobre debater, eu realmente acho que não vale a pena. Olha só: você vem com o papo de que trabalhou anos no mercado editorial. Ok. Good for you! A questão é que os itens 1 e 4 da sua contra-argumentação estão errados. Não há o que discutir sobre isso.

    As grandes redes não trabalham com consignação. Nem tampouco as grandes editoras. A não ser em casos isolados. Sei lá, em Itabira do Oeste talvez a Livraria do Tio Zé não consiga mesmo trabalhar de outra forma.

    Agora, imaginar que a Sextante venda o Dan Brown em consignação chega a ser engraçado.

    Sobre o prazo de pagamento, é mesmo 60 dias. Tanto que, no cálculo do custo final do livro, entram os juros bancários deste período.

    É isso. Hasta luego!

  16. Fabio - 11 3 2007 às 15:09

    As grandes editoras consignam 90% do catálogo. Algumas editoras não consignam somente os títulos com grande sucesso comercial: Editora Record, Rocco, Objetiva, Sextante, Best Seller, Planeta.

    A Companhia das Letras consigna todo seu catálogo.

    Os livros do autor Dan Brow eram, antes do “sucesso”, todos consignados. Cansei de assinar contrato de consignação com essa editora.

    Quanto ao prazo de pagamento, há casos que chegam a 60 dias, mas depende do valor. A média é de 35 dias fora a semana.

    Desculpe ter usado a palavra desinformado. Minha intenção não foi ofender.

    Notei que há muitas informações em conflito. Será qua as editoras e livrarias negociam de maneira diferente com cada cliente?. Isso seria péssimo.

    Gosto muito de discutir sobre o mercado editorial, principalmente com pessoas que tenham informações diferentes da minha.

    Obrigado.

  17. Alessandro Martins - 11 3 2007 às 15:34

    Fico feliz que tenham se entendido… :-)

  18. Paulo - 11 3 2007 às 16:23

    Fábio, isso tá virando um papo do tipo sei-não-sei.

  19. Fabio - 11 3 2007 às 16:59

    Paulo, não está virando nada! Quero somente acabar com um debate, que vi, não vai levar a nada.
    Tenho informações que você não tem, você tem informações que eu não tenho. E fica por isso mesmo. Ok?

  20. Norberto Kawakami - 25 3 2007 às 9:57

    Discutir através de argumento de autoridade dá nisto mesmo. A conclusão é sempre esta: Eu sei o que você não sabe e ponto final.

    Será que não há alternativa editorial através da internet?

  1. [...] depois de publicado, seu livro corre um enorme risco de ficar encalhado. A distribuição é cara e as livrarias não têm boa vontade com estreantes. Porém, a minha experiência com o Cracatoa foi excelente desde o tempo em que ele era um site. [...]

  2. [...] não vou me aprofundar nos critérios usados pelas grandes editoras e nos critérios das livrarias em relação a editoras grandes e pequenas. Na internet, o autor literário só depende da qualidade do que [...]

  3. [...] Entenda a lógica estúpida do mercado editorial em sete tópicos: é importante ler os comentários desse artigo também, pois ele suscitou um debate interessante [...]

  4. [...] Os valores das publicações são proporcionais à quantidade requerida. Depois de uma certa quantidade, são concedidos descontos no total dos livros. A grande vantagem é a independência de uma editora, de tiragens mínimas e de toda a burocracia editorial brazuca. [...]

  5. [...] Entenda a lógica estúpida do mercado editorial em 7 tópicos [...]

  6. [...] Saiba mais sobre o assunto no artigo “Entenda a lógica estúpida do mercado editorial em 7 tópicos“, de Alessandro [...]

  7. [...] mercado editorial Pesquisando sobre o mercado editorial, encontrei o desabafo de um cara que teve que fechar sua pequena editora. Eis os motivos: Consignação Exceto as grandes editoras, [...]

  8. [...] mercado editorial não apresenta espaço, atualmente, para poesia. As chances concretas de que um livro de poemas [...]

Deixe seu Comentário

ASSINE O FEED

... ou receba meus posts por e-mail

Destaque

Arquivos por mês

Direitos autorais

Comentários recentes

Artigos recentes

Categorias