Saber mover as peças não é exatamente saber jogar xadrez.
A arte de Caíssa envolve muitas outras coisas que apenas movimentar as pedras, pretas ou brancas, para lá e para cá no tabuleiro.
Muitas das quais, obviamente, ainda não domino.
Eu e meu amigo Marco Carvalho, dos blogs Como Comprar Meias, do Filosofia de Vida e do Swásthya Yôga em Curitiba, todas às segundas-feiras, às 18 horas, temos pelo menos um duelo agendado em um agradável café próximo de nossas casas.
Como eu disse, nem eu nem ele somos exatamente grandes mestres.
A ponto de nosso primeiro encontro ter sido marcado por um tabuleiro posicionado ao contrário. Com a casa branca do lado esquerdo.
Quem conhece um mínimo do jogo vai entender o quanto isso foi ridículo.
Bem… não era para contar esse detalhe, mas nao resisti.
Jogar xadrez hoje envolve um sentimento um tanto difícil de explicar.
Quando joguei xadrez pelas primeiras vezes, ainda criança e também na adolescência, eu sentia que o objetivo do jogo – como qualquer outro – era ganhar.
Ainda é.
Mas nessas últimas semanas há algo diferente. O objetivo do jogo ainda é ganhar. Porém, isso não é mais tão importante quanto o como ganhar.
É preciso ser da melhor forma possível, da forma perfeita.
O que, imagino, até mesmo grandes mestres – como Bobby Fischer ou Kasparov, por exemplo – nem sempre conseguiram fazer.
Posicionar-se dessa maneira, hoje quando jogo com o Marco, pode tornar até mesmo perder mais motivador pois, você passa a querer saber se as suas jogadas foram realmente boas ou se foram fruto da inabilidade de ambos.
Ou se em algum momento, mesmo em desvantagem posicional ou material ou contra um adversário mais preparado, conseguiu se defender e até mesmo atacar efetivamente, construindo um conhecimento que poderá ser usado no futuro.
A verdade é que – por mais competitivos que os profissionais sejam – nenhum dos dois jogadores ganha verdadeiramente no xadrez e nenhum dos dois perde: uma partida mal jogada é algo um tanto chata e uma partida bem jogada é um prêmio para ambos, algo de que se orgulhar.
Felizmente, hoje, a tecnologia ajuda a ter uma melhor avaliação dos jogos, mesmo para aqueles que não têm um professor à disposição.
Ambos estamos estudando com ajuda do jogo Chessmaster, que usamos também para anotar e analisar as partidas depois de jogadas.
Estou curioso para saber como estaremos jogando depois de um ano, se mantivermos a disciplina de nossos encontros semanais.
Por enquanto, eu sou um perna-de-pau.
Mas acho que o termo não se aplica ao jogo.
Ah, sim: para quem não sabe, o André, do Lendo.org é bicampeão gaúcho sub-18 e bronze no pan-americano estudantil de xadrez.










