Nem a chuva deste sábado e a dificuldade de estacionar (aumentada justamente pela tal chuva) impediram que o auditório do belo Paço da Liberdade ficasse repleto de pessoas, do Twitter ou não, interessadas no que os debatedores convidados tinham a dizer no 7º Encontro de Twitteiros Culturais, cujo tema foi Educação.

O ETC acontece em 13 cidades brasileiras que simultaneamente debatem o mesmo tema unidas pelo Twitter, pela transmissão de imagem e som via web e através do contato pessoal nos locais onde ocorrem.

O ETC Curitiba, em minha opinião, fez um upgrade particularmente no que diz respeito ao espaço. O Paço da Liberdade, mantido pelo Sesc-PR, é um dos mais bonitos e bem estruturados espaços culturais de Curitiba atualmente. O Paço só precisa melhorar um pouco o wi-fi, mas no sábado foi a primeira experiência com o serviço, de resto é a perfeição.

Dá uma sacada no espaço onde aconteceu o evento (lamento a qualidade da imagem, pois a fiz com o celular):

Saca só o lugar onde está rolando o #etc_cwb @etc_curitiba #etc_br

Um dos pontos altos do debate foi quando Nilzo Andrade Jr. afirmou que as salas de aula talvez sejam dispensáveis ao ensino, com opiniões concordantes e discordantes, através de vozes presentes no auditório e no Twitter.

Também acredito que a sala de aula como a conhecemos não deveria ter mais lugar na Educação.

Escrevi recentemente um texto sobre isso no Cracatoa Simplesmente Sumiu, mas fico com o comentário deixado pela Fernanda Mello, do Caminhante Diurno, na verdade uma citação, que resume tudo o que escrevi:

Observe o modo que são educadas as crianças. Quando reparamos nos fatos tais como são, e como sempre foram, salta aos olhos que toda educação consiste num esforço contínuo para impor à criança maneiras de ver, de sentir e de agir às quais ela não teria chegado espontaneamente. Desde os primeiros tempos de sua vida a obrigamos a comer, a dormir, a beber nas horas certas. Obrigamo-la à limpeza, à calma, à obediência. Mais tarde, obrigamo-la a ter em conta os outros, a respeitar os usos, as conveniências, a trabalhar, etc, etc. Se, com o tempo, essa coerção deixa de ser sentida, é porque, pouco a pouco, engrenou hábitos e tendências internas que as tornaram inútil, mas que só as substituem porque derivam dela. É verdade que, segundo Spencer, uma educação racional deveria reprovar tais processos e deixar a criança agir com toda liberdade; mas, como esta teoria pedagógica nunca foi praticada por nenhum povo conhecido, só constitui um desideratum pessoal, e não um fato que possa opor-se aos precedentes. Ora, o que torna estes últimos particularmente instrutivos é o fato da educação ter justamente por objetivo fazer o ser social. Nela se pode ver, em suma, como esse ser se constitui na história. Esta pressão permanentemente exercida sobre a criança é a própria pressão do meio social que tende a moldá-la à sua imagem, e dos quais pais e professores são meros representantes e intermediários.” – Émile Durkheim, As regras do método sociológico – 1895

Um dos educadores presentes no evento disse: os alunos estão no século XXI, os professores no século XX e as salas de aula no século XIX.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!