O empréstimo de livros é um tema polêmico.

Há aquele que prefere nem tocar no assunto.

Há aquele que empresta e sofre, depois de anos sem ver seu livro de volta à prateleira.

Há aquele que empresta e não está nem aí.

Porém, existe uma regra que funciona para todos os casos, antes de efetivamente se emprestar um livro.

Na verdade, funciona com livros, discos, dinheiro, mangueiras, escadas e tudo o mais.

No momento de oferecê-lo deve-se fazer a pergunta: eu poderia presentear essa pessoa com isto?

Veja: ainda que você esteja emprestando o livro, com a perspectiva de que a posse vai voltar, você deve admitir a séria possibilidade de que isso não aconteça.

Se o fato de isso não acontecer puder trazer sofrimento a você, esqueça. Você não deve emprestar o livro, de jeito nenhum. Sobretudo se o empréstimo for a um amigo, pois a partir daí você poderá ligar o seu amigo a uma sensação de sofrimento, por menor que seja.

Então a regra é:

De fato, eu deixei de emprestar livros há muito tempo. Eu os dou e pronto.

No caso de livros é fácil: se for aquela sua obra preferida e que pode ser reencontrada em qualquer livraria ou qualquer sebo e que você gostaria que todos os seus amigos lessem, empreste à vontade. A primeira edição de Dom Casmurro, que você ganhou de seu avô? Nem pensar. Aquele livro que você encheu de anotações e que está repleto de referências de estudo suas? Também não.

E se o livro emprestado voltar?

Ora. Tanto melhor.

Sobre o autor: Alessandro Martins

Sou o editor deste blog. Trabalhei como jornalista em Curitiba de 1995 a 2008, quando fui demitido e passei a me dedicar a escrever apenas na internet, em blogs e mídias sociais. Agora estou publicando minha newsletter que tem milhares de leitores: assine!