Ontem fui a um concerto da Orquestra Sinfônica Phillips, da Holanda, que se apresentou no Guaíra.
A primeira peça apresentada foi o Trenzinho Caipira, de Heitor Villa Lobos, em um movimento.
As duas seguintes – uma obra de Dvořák, de que não me lembro o título, e Sherazade, de Rynski Korsakov – tinham três movimentos cada.
Há alguns anos eu ia com mais frequência a concertos e sempre havia alguém que ensaiava algumas palmas entre cada movimento. Mas ao ver que ninguém o acompanhava, permanecia em silêncio.
Mas como ontem, nunca tinha visto: houve aplausos efusivos entre cada uma das partes das duas últimas obras executadas. Parece que aqueles que, antes, ensaiavam um tímido aplauso atingiram a massa crítica suficiente para arrastar o resto do público, inseguro sobre como proceder em uma situação destas.
Nunca aplauda entre os movimentos
Nunca aplauda entre os movimentos. É fácil saber quantos movimentos uma obra tem mesmo para um ignorante em música clássica como eu. Basta ler no programa que é distribuído antes desse tipo de evento e descobrir quais músicas serão tocadas. Nos programas tudo é detalhado e, às vezes, há até uma explicação sobre as obras, o músico e o período em que foram criadas.
Se não houver programa, pergunte a alguém, mas não deixe sua timidez mantê-lo na ignorância.
Por que não aplaudir
Isso não é por frescura.
Ao contrário do que pode parecer, aplaudir entre as pausas que há entre os movimentos é um desrespeito aos músicos, atrapalhando sua concentração.
Aquele momento de silêncio serve tanto para pontuar a diferença climática que há entre cada momento da música quanto para que o músico se prepare para essa mudança.
Ontem, os músicos se olhavam, divertidos, a cada vez que recebiam os aplausos nos momentos não apropriados pensando que, em Curitiba, as coisas são diferentes.







