Em concertos, não aplauda entre os movimentos

Ontem fui a um concerto da Orquestra Sinfônica Phillips, da Holanda, que se apresentou no Guaíra.

A primeira peça apresentada foi o Trenzinho Caipira, de Heitor Villa Lobos, em um movimento.

As duas seguintes – uma obra de Dvořák, de que não me lembro o título, e Sherazade, de Rynski Korsakov – tinham três movimentos cada.

Há alguns anos eu ia com mais frequência a concertos e sempre havia alguém que ensaiava algumas palmas entre cada movimento. Mas ao ver que ninguém o acompanhava, permanecia em silêncio.

Mas como ontem, nunca tinha visto: houve aplausos efusivos entre cada uma das partes das duas últimas obras executadas. Parece que aqueles que, antes, ensaiavam um tímido aplauso atingiram a massa crítica suficiente para arrastar o resto do público, inseguro sobre como proceder em uma situação destas.

Nunca aplauda entre os movimentos

Nunca aplauda entre os movimentos. É fácil saber quantos movimentos uma obra tem mesmo para um ignorante em música clássica como eu. Basta ler no programa que é distribuído antes desse tipo de evento e descobrir quais músicas serão tocadas. Nos programas tudo é detalhado e, às vezes, há até uma explicação sobre as obras, o músico e o período em que foram criadas.

Se não houver programa, pergunte a alguém, mas não deixe sua timidez mantê-lo na ignorância.

Por que não aplaudir

Isso não é por frescura.

Ao contrário do que pode parecer, aplaudir entre as pausas que há entre os movimentos é um desrespeito aos músicos, atrapalhando sua concentração.

Aquele momento de silêncio serve tanto para pontuar a diferença climática que há entre cada momento da música quanto para que o músico se prepare para essa mudança.

Ontem, os músicos se olhavam, divertidos, a cada vez que recebiam os aplausos nos momentos não apropriados pensando que, em Curitiba, as coisas são diferentes.

Postado em Artes e design.

Sobre o autor

Alessandro Martins

Alessandro Martins foi o criador do blog Livros e Afins. Trabalhou em jornais de Curitiba de 1995 a 2008, quando passou a se dedicar somente a blogs e em especial a este.

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