Todos já ouviram falar da história da mocinha indefesa que por ser a mais bela do reino foi caçada por sua madrasta invejosa e encontra abrigo na casa de sete anões. Mesmo protegida a bruxa má consegue dar a ela uma maça envenenada, fazendo com que ela caísse em sono profundo e que seria eterno, se o príncipe encantado não lhe desse um beijo de amor verdadeiro.

Pouco se sabe da história original de Branca de Neve, apenas que por ser da tradição oral ela se modificava conforme ia sendo contata, até chegar aos ouvidos dos alemães Grimm, que transcreverem com algumas características há mais do que a versão mais conhecida, como as tentativas extras de matar Branca e o castigo da bruxa de dançar pela eternidade com sapatos em brasa.

Já no cinema, o primeiro filme sobre ela foi em 1902, mas o de 1916 com Marguerite Clark foi um sucesso e a inspiração para que Walt Disney criasse o primeiro filme de animação em longa-metragem: Branca de Neve e os sete anões. A animação foi tão popular que por anos fez parte do ranking das maiores bilheterias da história do cinema e a imagem da mocinha petite, doce, de vestido azul e amarelo, e amiga de sete anões, foi conectada diretamente a história.

Porém, com o passar do tempo a postura de Branca de Neve ficava “obsoleta” para os moldes femininos das novas décadas e principalmente do novo século. Branca era adorável, mas ninguém mais parecia gostar de verdade dela.

Tentando reverter isto, há quase 5 anos a Disney lançou o filme Encantada, comemorando o aniversário de 70 anos da animação de 1937. Encantada pretendia queria reavivar a vontade das pessoas de assistirem aos filmes clássicos, fazendo referências diretas às histórias conhecidas e trazendo elementos novos que falassem a mesma língua que as meninas do século XXI, mesmo assim não foi o suficiente para que Branca de Neve despertasse.

Em 2010 a empresa relançou o filme original em uma versão para blu-ray e cheia de bônus. O filme até teve uma tiragem significativa, mas não conseguiu vender tanto quanto a empresa esperava, logo ficava clara a impopularidade de Branca.

Entre adaptações de baixo orçamento e empreitadas não tão rentáveis, Branca de Neve teve um espaço de quase 50 anos de versões que mostrassem sua história de forma diferente. Foi aí que, não só os Estúdios da Disney, mas também outras produtoras resolveram investir nela, percebendo que algumas mudanças teriam que ser feitas. Branca teria que oferecer algo mais contemporâneo para que voltasse a ser querida, ela precisava ser mais ousada, independente e determinada.

Seguindo estas ideias, este ano três produções cinematográficas recontaram da história de Branca. A primeira delas é “Espelho, Espelho Meu”, que, com uma linguagem bem simples e atores belíssimos, trouxe alguns toques de ação para a história, a grande novidade do filme é sabermos mais sobre a visão da madrasta e uma presença mais afiada do príncipe. No elenco estão Julia Roberts e Lily Collins. A segunda produção se chama “Branca de Neve e o Caçador”, que já pretendeu ser um pouco diferente, dando um ar de guerreira à personagem principal e apostando em uma fotografia mais obscura. Este filme foi amado/odiado por aqueles que viram. A história gira em torno da união de Branca com o caçador (aquele que ficou com pena de matá-la) para destronar a rainha má. Prometeu muita ação e tem no elenco Kristen Stewart e Charlize Theron.

Correndo por fora destas duas produções lançadas neste ano, está “The order of the Seven” (que deveria ser traduzido para A Ordem dos Sete) da Disney que tinha a intenção de trazer uma Branca de Neve ainda mais diferente: Branca se chamará Olivia e será uma britânica expatriada e exilada em Hong Kong. Lá ela conheceria sete lutadores de um grupo centenário conhecido como A Ordem dos Sete. Estes lutadores foram subjugados por uma imperatriz má. Saoirse Ronan era a protagonista desta versão disneyana, mas justamente pela quantidade exagerada de versões desta mesma história, a Disney suspendeu o projeto por enquanto e está focando suas forças em Maleficent e a série Once Upon a Time.

No “final” de todas estas interpretações, versões e adaptações uma coisa é certa Branca de Neve talvez nunca tenha sido tão popular quanto agora.

Sobre o autor: Ana Carolina (oliviayale)

Jornalista com diploma. Autora da saga "A Irmandade das Olivias" e aprendiz de pesquisadora em Pós-Modernidade e Contos de Fada, cinéfila de carteirinha, apaixonada pela Disney e viciada em blogs.